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Acompanhamento Terapêutico: tecendo com o imprevisível




“A vida não é algo a ser entendido. Viver ultrapassa todo entendimento”.
Clarice Linspector

"Acompanhamento Terapêutico ( A.T.) é uma nova opção de tratamento a clientes que se encontram em um momento de intenso sofrimento psíquico. O Acompanhamento Terapêutico é um trabalho diferenciado em que o terapeuta (geralmente psicólogo clínico) acompanha o paciente nas mais diversas tarefas e atividades diárias, possibilitando-lhe lidar com as questões conflitantes, emergentes destas atividades." René Schubert

O Acompanhamento Terapêutico ( A.T. ) é uma nova opção de tratamento à pacientes com grave sofrimento psíquico. É um recurso de reinclusão social cada vez mais utilizado no campo da saúde mental. Como clínica de articulação, objetiva o alívio do sofrimento por meio do contorno dado em atividades sociais, culturais assim como a interrelação e a reinserção na realidade. Seu “setting” se dá no espaço público, fora das instituições convencionais de tratamento. O A.T. participa da reconstrução simbólica do sujeito após o desencadeamento da crise e, inserido numa equipe de trabalho multiprofissional (psiquiatra, psicanalista, Terapeuta Ocupacional, entre outros), participa da construção de projetos terapêuticos singulares para cada paciente.

Tal modalidade tem seu surgimento em aproximadamente 1971, a partir de sua implantação na Argentina - surgindo como alternativa de tratamento para pacientes crônicos que não respondiam ao tratamento convencional.

Juntamente com a Reforma Psiquiátrica e a assim chamada Luta Antimanicomial, o A.T. apresentou-se como uma possibilidade de efetivar algumas proposições destas últimas. Remetendo-me à afirmação de Ghertman (1997, p.233), “dentro da cena da saúde mental moderna, o AT já aparece como peça fundamental na ajuda à desinstitucionalização de pacientes crônicos”.

Tendo também em vista a LEI Nº 10.216, de 6 de abril de 2001, sobre as reformulações na política da Saúde Mental, assinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso no Art. 4º, parágrafo um temos “O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do paciente em seu meio.”

Assim como o Art. 5º: “O paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize situação de grave dependência institucional, decorrente de seu quadro clínico ou de ausência de suporte social, será objeto de política específica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida...”

Esta lei toca no trabalho de A.T. quando frisa a importância de se trabalhar a reabilitação psicossocial de pacientes institucionalizados em clínicas e hospitais psiquiátricos. A reinclusão social é o que objetiva o trabalho deste singular promotor da saúde mental.

As nomenclaturas que antecederam o A.T. foram muitas: auxiliar psiquiátrico, atendente grude, amigo qualificado e outras. A mudança na nomenclatura demostra a transformação da postura e atuação deste profissional. Deixou de ser mero acompanhante ou babá, para tornar-se um profissional que dará contornos e fará amarrações frente ao sofrimento psíquico de seu paciente por intermédio de intervenções, falas e gestos no espaço aberto da cidade.

Esta modalidade de tratamento encontra-se principalmente em instituições de saúde mental, nas quais tal trabalho vem se destacando pelas contribuições feitas tanto nas discussões clínicas de caso, como no próprio projeto de reabilitação social. Ainda é difícil encontrar A.T.s que desenvolvam tal trabalho independentemente de uma equipe clínica, até porque sua inserção em uma equipe multiprofissional é fundamental, não só para ele, mas principalmente para o paciente.”

Referências:

Parte integrante do artigo de René Schubert apresentado na “Jornadas da Psicanálise Lacaniana” em 13 de dezembro de 2003. Sede do Instituto da Psicanálise Lacaniana (IPLA) sob coordenação de Margareth Ferraz e Jorge Forbes.



Lançado em 2024, neste livro escrevi o artigo: "Caminhando e cantando...tecendo palavras, vivências e lugares por meio do Acompanhamento Terapêutico"



O cavalo como potencializador do vínculo paciente-terapeuta


A partir da experiência com equoterapia e como psicoterapeuta em uma Instituição para crianças especiais (ambulatório infantil que atende à crianças com transtornos neurológicos e psiquiátricos), pôde-se inferir e questionar a facilitação e potencialização do contato e vínculo estabelecido entre terapeuta e paciente graças à interação mediada pelo cavalo. Muitas crianças, por seu próprio quadro clínico ou por resistência à criação de novos vínculos afetivo-emocionais mostram-se arredios ao contato e interação com o profissional em ambulatório ou consultório - necessitando por vezes de um tempo muito prolongado para confiar e participar das atividades propostas no tratamento. Percebeu-se que o cavalo, mais até do que outros animais, facilita e aproxima o paciente do terapeuta - seja pela montaria em equoterapia, seja no trato com o animal. Tal aproximação, automaticamente, opera a favor do trabalho reabilitativo ou de inclusão que o terapeuta lança como objetivo de tratamento - tendo o cavalo como estratégia terapêutica para alcançar objetivos clínicos que, sem o mesmo poderiam não ser possíveis ou prolongar-se demais no tempo o que, muitas vezes, acaba prejudicando ou inviabilizando o tratamento. Desta forma surgem diversos questionamentos de como e por qual via opera esta facilitação no contato com o outro mediado por um animal.Será apenas a presença física do mesmo ou o desejo de interação que seduzem crianças com tantas dificuldade no contato afetivo-emocional ? Por quais vias opera esta "sedução"?

O presente trabalho visa discutir clínica e academicamente os motivos por trás deste contato, fundamental a qualquer tipo de tratamento reabilitativo e, ou inclusivo.


Palavras-chave: Vinculação Terapêutica, Equoterapia, Cavalo como mediador, Crianças especiais.

Autor: René Schubert


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A Equoterapia como alternativa terapêutica para crianças




Tendo em vista o aumento de comentários e exposição na mídia sobre os distúrbios que afetam a infância e, invariavelmente, prejudicam a educação, achou-se interessante apresentar em um trabalho, as dificuldades que acometem nossas crianças e relacionar isto à moderna Equoterapia. A equoterapia constitui um tratamento complementar de apoio à pessoas especiais, portadoras de dificuldades ou deficiências físicas e/ou psicológicas.
Obtém excelentes resultados com quadros de paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, Síndrome de Down e outras síndromes, lesão medular, dificuldades de aprendizagem ou linguagem, hiperatividade, autismo, depressão, estresse, entre muitos outros.

É um tratamento aplicado por uma equipe multiprofissional (como por exemplo: neurologista, fisioterapeuta, psicólogo, fonoaudiólogo, pedagoga, técnico de montaria, etc) especializada em lidar com o cavalo, o contexto e as apresentações clínicas tratadas.

As principais conquistas da equoterapia são o desenvolvimento da auto-confiança, segurança, disciplina, concentração e bem-estar do paciente. A prática eqüestre favorece ainda a sociabilidade, uma vez que integra o praticante, o cavalo, e os profissionais envolvidos.

Relacionando tais fatores ao tema da hiperatividade, desatenção, dificuldade de aprendizagem e linguagem nas crianças e adolescentes, a equoterapia demonstrou ser excelente alternativa para desenvolver as potencialidades, concentração e disciplina dos pacientes que tiveram acesso à essa terapêutica.

Palavras-chave:
Equoterapia, Abordagem Terapêutica, Equipe multiprofissional, Deficiências e Distúrbios na Infância.


Autor: René Schubert


O mesmo foi publicado pela Revista da ANDE sob o titulo: “A Equoterapia como alternativa terapêutica para crianças 'agitadas'”. Revista Equoterapia, ANDE BRASIL, N º 12, Dezembro 2005.


Artigo disponível na íntegra nos sites:
http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=1465
http://equitacaoespecial.blogspot.com/2010/04/equoterapia-com-criancas-agitadas.html#more