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Os Cinco Círculos do Amor - Bert Hellinger

Em seu livro "Um Lugar para os Excluídos", Bert Hellinger descreve aquilo que chamou de Cinco Círculos do Amor, por meio dos quais fazemos nossa caminhada na vida para encontrar nosso lugar de pertencimento: na família, na sociedade, na cultura, na vida...

1- Os pais

O primeiro círculo do amor começa com o amor recíproco de nossos pais, como um casal. Foi desse amor que nascemos. Eles nos nutriram, abrigaram e protegeram por muitos anos.

Faz parte desse amor que amemos também os antepassados de nossos pais, também eles, através de seus pais e avós, vincularam-se a um destino especial, assim como nós nos vinculamos ao seu destino.

A esse destino nós também assentimos com amor. Então olhamos para nossos pais e nossos antepassados e dizemos amorosamente a eles: “Gratidão”. Este é o primeiro círculo do amor.

2- Infância e Puberdade

O segundo círculo do amor é a infância e puberdade. Tudo que os pais me deram, os cuidados que tiveram por mim, dia e noite perguntando-se: “Do que essa criança está precisando?”, tudo isso eu recebo deles com amor.

Os pais sabem o que isso lhes custou e o que significa para eles. Tudo que aconteceu na minha infância eu aceito agora – inclusive que meus pais não tenham visto alguma coisa, que tenham cometido erros ou que algo de insano tenha acontecido.

Os filhos não podem suportar o desnível que sentem em relação ao seus pais, principalmente quando não sabem que a verdadeira compensação do que receberam dos pais consiste em transmitir isso a outros – especialmente mais tarde seus próprios filhos.

Quando os filhos percebem que é possível compensar tudo que receberam de seus pais transmitindo a outros o que receberam, aprendem a lidar com que receberam e aprendem o que fazer com isso. A vantagem dessa atitude é que não precisam negar nada que receberam dos pais. Podem tomar tudo, porque sabem que o repassarão.

3- Dar e tomar

O adulto consegue igualmente dar e tomar, é mais fácil dar do que tomar porque eu me sinto superior. O verdadeiro tomar não comporta exigências.

Tomar o amor, como uma pessoa entre outras, tem grandeza. Quando posso tomar dessa forma também posso dar, o dar começa com o correto tomar. Uma arte elevada, trata-se de tomar valorizando o que se toma.

Nas relações adultas é importante que cada pessoa possa, de algum modo tomar a outra. Essa é a compensação mais importante. Não é preciso que ambas deem na mesma medida, mas que tomem para sim na mesma medida. O ato de tomar reciprocamente é o mais difícil, ele une mais profundamente pois ambos estão na posição de quem necessita.

Quando um casal toma totalmente seus pais, eles deixam fluir aquilo que veio de seus pais e então se dão reciprocamente, a partir dessa plenitude.

Como pessoas adultas devemos dar sem esperar receber do outro algo que ele não pode dar-nos. Essa atitude nos dá força para nos tornarmos pais ou mães. Nela, o tomar se completa e começa a transmissão, o intercâmbio de gerações. Este é o terceiro círculo.

4- Concordar com todos os seres humanos

O quarto círculo do amor ultrapassa os limites da consciência, nele eu concordo com todas as pessoas da minha família como são, inclusive os excluídos e difamados. Aqui se trata da plenitude interna, isto é todos os que pertencem a minha família ganham um lugar em minha alma. 

Somente quando incluo em minha alma e em meu amor é que me sinto pleno e inteiro. O mesmo movimento em que incluo em meu amor o que até agora foi excluído ou temido, eu estendo em seguida, a todos os seres humanos.

5- Concordar com o Mundo

O quinto círculo do amor se dirige a humanidade, ao mundo enquanto tal. Aqui se trata de concordar com o mundo como ele é. Isso diz respeito a capacidade de reconciliação entre os povos, por exemplo. 

Este é o amor universal, que sabe que somos movidos por poderes superiores, ultrapasso a estreiteza e atinjo um nível espiritual.


Resumo desenvolvido pelo IDESV a partir do livro de Bert Hellinger: "Um lugar para os excluídos"

Dependência de tecnologia

“Vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar” 
Zygmunt Bauman



(Imagem de Pawel Kuczynsky)


A partir de artigos publicado em mídias digitais traz-se aqui um reflexão atual e preocupante: a mesma tecnologia que vincula, atualiza e informa também pode nos distanciar dos relacionamentos, empobrecer conteúdos, produzir maiores mal-entendidos na comunicação, nos isolar socialmente e causar dependência.

Não podemos esquecer que cada vez os mais jovens estão expostos à mais ferramentas virtuais e de comunicação midiática - qual o preparo e a maturidade física, mental e emocional para tal exposição? Quais os limites e ponderações que os adultos e mais experientes estão fazendo em relação à este fenômeno atual e que cresce a cada dia e à uma velocidade muitas vezes difícil de acompanhar? Estamos lidando com tais movimentos de forma preventiva e ponderada ou de forma aguda e desesperada? Quais os limites e posturas adequadas para crianças, jovens e adultos em relação a este novo que se mostra?

Aqui valem algumas máximas reflexivas, independente de idade, crença, credo ou cultura: "Todo excesso esconde uma falta" e "Tudo o que é em excesso pode fazer mal".

Dependência de tecnologia...eletrônicos...mídias...games...virtualidade...

"Junto com o “boom” da internet e o incrível desenvolvimento dos jogos eletrônicos, aumentaram as preocupações acerca das possíveis consequências negativas que o uso intenso dessas tecnologias poderia causar. Boa parte desse medo vinha das semelhanças que o uso intenso da internet e dos jogos eletrônicos tinha com o uso de drogas como álcool, cigarro e cocaína."


"Insônia, ansiedade e depressão. A tecnologia que ajuda a melhorar a vida de milhares de pessoas pode ser também motivo de problemas de saúde e de relacionamento. Há pelo menos 4 anos, especialistas já lidam com o novo transtorno mental: a dependência de tecnologia. Uma pesquisa da Microsoft apresentada no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), afirma que para 74% dos brasileiros a tecnologia tem impacto positivo nas artes e na cultura; para 80%, cria oportunidades de emprego; e para 72% ajuda a reduzir diferenças econômicas.
Apesar das melhorias que os avanços tecnológicos trouxeram, os sintomas da dependência de tecnologia já são comparados por especialistas aos traços que uma dependência química gera na vida de alguém. A chegada dos smartphones no Brasil, nos anos 1990, foi responsável pela disseminação das redes sociais e intensificou o uso de jogos eletrônicos. O especialista em educação pela Universidade de Brasília Lúcio Teles ressalta que pessoas lidam todos os dias com “injeções tecnológicas” — vídeos, fotos, animações e mensagens que bombardeiam a mente quase 24 horas por dia. Os avanços tecnológicos têm causado mudanças significativas no comportamento da sociedade e, segundo Teles, os pais devem ficar atentos e controlar a vida virtual dos filhos. “É preciso evitar que as crianças cresçam sem desenvolver habilidades importantes de socialização”, pontuou."
Video Games e jogos eletrônicos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o vício em jogos de videogame como um distúrbio mental. Essa é a primeira vez que a condição está sendo incluída como uma doença pela entidade. Adicionada em 2018 na 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID) com o nome de “distúrbio de games”, o documento descreve o problema como padrão de comportamento frequente ou persistente de vício em games, tão grave que leva “a preferir os jogos a qualquer outro interesse na vida”.


"Os pais podem ter razão quando dizem “esse excesso de games está virando uma doença”. A Organização Mundial da Saúde reconhece os benefícios do mundo virtual como a troca de informações em tempo real. Mas alerta: o exagero é um problema de saúde pública em muitos países.
“A gente tem só que ter o cuidado de separar o que é o realmente excessivo do que é uma prática normal, do que que é jogar um videogame no dia a dia, que o brasileiro gosta muito de jogar videogame”, disse Fernando Chamis, presidente da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames).
Para o psiquiatra Cirilo Tissot, a decisão de incluir o vício em games como transtorno vai ajudar os médicos a fazer essa diferença. Ele explica: há uma predisposição genética na maioria dos casos e sinais que servem de alerta.
“Quando eu começo a deixar de fazer outras obrigações, ir na escola, estudar, frequentar relacionamentos sociais, de amigos, quando eu começo a fazer isso em função de jogo, esse é principal sintoma de que a pessoa está viciada, esta compulsiva nessa atividade”, disse.
A dependência em games, assim como em outras atividades, tem uma explicação, uma reação bioquímica dentro do nosso cérebro: ele libera um neurotransmissor chamado dopamina, que dá uma sensação de prazer, euforia, recompensa. Quem se vicia, não consegue viver sem essa descarga de dopamina. Sempre quer mais e joga mais."
O uso excessivo de tecnologia preocupando empresas e segmentos sociais

"Depois de anos impulsionando o acesso a internet e smartphones, gigantes do setor criam ferramentas para incentivar os consumidores a ficar menos tempo conectados; para alguns estudiosos, dependência de celular é considerada um transtorno.

Na próxima quarta-feira, a atenção de milhões de pessoas estará voltada para os novos modelos de iPhones que a Apple deve anunciar. Pouco se sabe sobre os aparelhos. Uma certeza, porém, é de que eles chegarão ao mercado cheios de funções que incentivam o usuário a ficar menos tempo na frente do celular - como anunciado pela empresa em maio. A Apple não é a única gigante do setor a pensar no uso consciente dos aparelhos pelos consumidores. Nos últimos meses, Google, Facebook e Twitter anunciaram funções similares, buscando endereçar um problema cada vez mais presente: o uso excessivo de tecnologia.

É uma questão global: em uma pesquisa feita pelo instituto Ipsos no Brasil, EUA, França e Índia, 33% dos participantes disseram já ter priorizado o celular em vez de passar tempo com amigos ou família. No Brasil, esse porcentual é de 36%. Além disso, é considerável o número de pessoas que tem uma relação conflituosa com seus dispositivos. O Dependência de Internet, centro de tratamento do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo (USP), recebe em média quatro pedidos de ajuda por dia.

É algo especialmente comum entre os mais jovens, como o jornalista Guilherme Soares, de 23 anos. Há quatro anos, ele anda com seu smartphone no bolso e ficar offline tem sido um desafio. "Houve uma época em que se meu celular estivesse carregando longe de mim, eu ficava ansioso", conta. "É como se faltasse uma parte do meu corpo."

Quem tem profissões cuja rotina diária está ligada à tecnologia também tem dificuldade para se impor limites. Especialista em mídias digitais, Piero Caíque, de 31 anos, passa mais de 8 horas por dia conectado no trabalho. Ao chegar em casa, obedece a regras para não ficar paranoico. "Hoje, não entro mais no quarto com o celular ou o PC, ou não consigo me controlar", diz ele, que se assume "viciado em internet".

Debate. Na comunidade médica, ainda não há consenso se a dependência de smartphones ou de internet pode ser considerada uma doença propriamente dita - não há definição sobre o tema na Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo. Pioneira em estudos sobre o tema, a psicóloga americana Kimberly Young defende a classificação como transtorno: "A partir do momento que alguém perde o controle, isso não pode ser mais considerado normal".

Já a psicóloga Anna Lucia King, do Instituto Delete, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), alega que há muita confusão no debate: "A maioria das pessoas que nos pedem ajuda acha que são viciadas. Depois da nossa avaliação, elas percebem que é só mau uso da internet". Segundo a pesquisadora, cujo centro já recebeu mais de mil pacientes nos últimos cinco anos, o vício em tecnologia está ligado a outros transtornos, como ansiedade ou depressão. "Em casos patológicos, a tecnologia é usada para descarregar um componente que já existe na personalidade."

Para quem tem dúvidas se precisa procurar ajuda, o Hospital das Clínicas da USP coloca à disposição um questionário com oito tópicos. Se houver pelo menos seis respostas positivas, é bom ir atrás de um especialista. O médico Claudio foi um dos que buscou ajuda para o irmão, Pedro, um estudante de 31 anos - os dois pediram para não terem seus nomes identificados. Segundo Claudio, Pedro sempre gostou de internet, mas percebeu que havia algo errado quando o rapaz perdeu o ânimo pela faculdade ou pelos amigos.

"Quando o confrontávamos, meu irmão ficava automaticamente agressivo", conta Claudio. "Chegou um momento em que não aguentamos mais." Pedro teve de se mudar do Espírito Santo para fazer o tratamento no Hospital das Clínicas, que consiste em uma sessão semanal em grupo com os pacientes. Além disso, os familiares são convidados a participar de sessões para discutir o cuidado com os próximos.

Em casos mais graves, os pacientes também podem ser encaminhados para sessões com psiquiatras ou medicação. Não foi o que aconteceu com Pedro: "Em três meses, meu irmão já tinha controle no uso do próprio celular. Foi difícil, mas mudou a vida dele", diz Claudio.
Inevitável. O caso do estudante ressalta um aspecto importante: apesar de poder ser prejudicial, a utilização de smartphones ou da internet é um hábito quase incontornável no dia a dia.

Agora, a abordagem das empresas de tecnologia busca promover o uso consciente de suas plataformas - nas próximas versões do Android e do iOS, respectivamente, Google e Apple permitirão que os usuários saibam quanto tempo gastaram no celular por dia ou quantas vezes a tela foi desbloqueada. Será possível ainda silenciar ou reduzir o fluxo de notificações, que causam distração constante, e até mesmo impor limites no tempo de uso. "Não queremos necessariamente que as pessoas usem menos o celular, mas que elas usem de forma mais consciente", diz Flavio Ferreira, diretor de parcerias do Android para a América Latina.

Pensar no bem estar é também uma estratégia de negócios: afinal, suas receitas estão ligadas ao engajamento dos usuários com os celulares. "Se as pessoas não estiverem bem, as plataformas não conseguem reverter acessos em, por exemplo, compras para seus anunciantes", diz o professor Edney Souza, da ESPM.

Para especialistas, a proposta das gigantes serve como alerta. "As iniciativas das empresas são ótimas, mas não resolvem o problema", diz o psicólogo Cristiano Nabuco, do Hospital das Clínicas. "Em casos graves, não há como fugir do tratamento"."

Alguns videos e animações acerca desta temática:






 

Referências e fontes utilizadas:

Um encontro com Lacan

"Rendez Vous Chez Lacan" - "Um encontro com Lacan" - Um pouco da vida e obra do psicanalista francês Jacques Lacan. Documentário de 2011 sob a direção de Gérard Miller. O documentário conta com a participação dos psicanalistas Eric Laurent, Jacques-Alain Miller e Judith Miller, entre outros, além de depoimentos de antigos analisandos de Jacques Lacan. "Ele era um homem absolutamente incrível. Eu fiz esse filme para que o maior número de pessoas possa saber mais sobre ele" Gerard Miller Sinopse: "Nascido com o século XX, em uma família católica e de classe média, Jacques Lacan se formou como Psiquiatra. Teve a amizade de Picasso, Levi-Strauss e Sartre. Destacou-se no exercício prático e teórico da psicanálise e gerou polêmica entre os colegas de profissão. Com a ajuda de seu irmão Jacques-Alain, um dos maiores pupilos de Lacan, Gérard Miller tenta destrinchar a personalidade deste que até hoje é considerado um dos mais instigantes e controversos pensadores da história da psicanálise." Nome do Documentário: Encontro com Lacan / Rendez Vous Chez Lacan. Ano de produção: 2011 - França Direção: Gerard Miller e Leslie Grunberg Produção: Penelope / 2 cafes L'Addition / France Televisions



Como traumas familiares podem moldar quem você é…



Escrito pelo psicoterapeuta norte americado Mark Wolynn - parte integrante do livro: It Didn't Start with you


"Uma característica bem documentada sobre trauma familiar para muitos, é a nossa incapacidade de articular o que nos acontece. Nós não só sabemos como falar, mas também se perde em nossa memória. Durante um incidente traumático, nossos processos de pensamento tornam-se dispersos e desorganizados de tal forma que já não reconhecemos as memórias como pertencentes ao evento original. Em vez disso, fragmentos de memória, dispersos como imagens, sensações corporais e palavras, são armazenados em nosso inconsciente e podem ser ativados posteriormente por qualquer coisa, mesmo remotamente, que relembre a experiência original. Uma vez que eles são acionados, é como se um botão de rebobinação invisível tivesse sido pressionado, fazendo-nos reencontrar aspectos do trauma original em nossas vidas no dia-a-dia. Inconscientemente, podemos nos encontrar reagindo a certas pessoas, eventos ou situações de maneiras antigas e familiares que ecoam do passado.

Sigmund Freud identificou esse padrão há mais de cem anos. A reconstituição traumática, ou a “compulsão de repetição”, como Freud nomeou, é uma tentativa do inconsciente de reproduzir o que não está resolvido, para que possamos “entender”. Essa unidade inconsciente para reviver eventos passados poderia ser um dos mecanismos que trabalha quando as famílias repetem traumatismos não resolvidos nas gerações passadas.

O contemporâneo de Freud, Carl Jung, também acreditava que o que permanece inconsciente não se dissolve, mas ressurge em nossas vidas como destino ou fortuna. “Tudo o que não surge como consciência”, disse ele, “retorna como destino”. Em outras palavras, é provável que continuemos repetindo nossos padrões inconscientes até trazê-los à luz da consciência. Jung e Freud observaram que tudo o que é muito difícil de processar não desaparece por conta própria, mas sim é armazenado em nosso inconsciente.

Freud e Jung observaram cada vez que fragmentos de experiências de vida previamente bloqueadas, suprimidas ou reprimidas apareciam nas palavras, gestos e comportamentos de seus pacientes. Durante décadas, terapeutas viram pistas, como lapsos de linguagem, padrões de acidentes, ou imagens oníricas como mensageiros que brilham uma luz para as regiões indizíveis e impensáveis de vida de seus clientes.

Os avanços recentes na tecnologia de imagem permitiram que os pesquisadores desvendassem o cérebro e as funções corporais que “falharam” ou “quebraram” durante episódios devastadores. Bessel van der Kolk é um psiquiatra holandês conhecido por sua pesquisa sobre o estresse pós-traumático. Ele explica que durante um trauma, o centro de fala encerra, assim como o córtex pré-frontal medial, a parte do cérebro responsável por experimentar o momento presente. Ele descreve o “terror sem fala” do trauma como a experiência de estar em uma “perda de palavras”, uma ocorrência comum quando os caminhos cerebrais de lembrança são dificultados durante períodos de ameaça ou perigo. “Quando as pessoas revivem suas experiências traumáticas”, diz ele, “os lobos frontais ficam prejudicados e, como resultado, eles têm dificuldade para pensar e falar”.

Ainda assim, tudo não é silencioso: palavras, imagens e impulsos que se fragmentam após um evento traumático emergem para formar uma linguagem secreta de nosso sofrimento que carregamos conosco. Nada está perdido. As peças acabaram de ser reencaminhadas.
As tendências emergentes em psicoterapia estão agora começando a apontar além dos traumas individuais também incluem eventos traumáticos na história familiar e social como parte do quadro inteiro. As tragédias que variam em tipo e intensidade — como o abandono, o suicídio e a guerra, ou a morte precoce de uma criança, pai ou irmão — podem enviar ondas de choque de angústia em cascata de uma geração para a próxima. Desenvolvimentos recentes nos campos da biologia celular, neurobiologia, epigenética e psicologia do desenvolvimento sublinham a importância de explorar pelo menos três gerações de história familiar para entender o mecanismo por trás dos padrões de trauma e sofrimento que se repetem.

A seguinte história oferece um exemplo vívido

Quando conheci Jesse, ele não teve uma noite inteira de sono por mais de um ano. Sua insônia era evidente nas sombras escuras ao redor de seus olhos, mas o vazio de seu olhar sugeria uma história mais profunda. Apesar de apenas vinte anos, Jesse ficou com pelo menos dez anos de idade. Ele afundou no meu sofá como se suas pernas já não aguentassem seu peso.

Jesse explicou que ele tinha sido um atleta-estrela e um aluno com ótimas notas, mas que sua persistente insônia havia iniciado uma espiral descendente de depressão e desespero. Como resultado, ele abandonou a faculdade e teve que perder a bolsa de beisebol que ele tinha batalhado tão duro para conseguir. Ele procurou desesperadamente ajuda para recuperar sua vida e colocar ela no caminho certo. Ao longo do último ano, ele tinha estado em três médicos, dois psicólogos, uma clínica de sono e um médico naturopata. Nenhum deles, ele relatou em um monólogo, foi capaz de oferecer qualquer ideia do que fosse ou ajuda real. Jesse, olhava principalmente para o chão enquanto compartilhava sua história, me disse que estava no fundo do poço.

Quando perguntei se ele tinha alguma ideia sobre o que poderia ter desencadeado sua insônia, ele balançou a cabeça. O sono sempre veio facilmente para Jesse. Então, uma noite, logo após o décimo nono aniversário, ele acordou de repente às 3:30 da manhã. Ele estava gelado, tremendo, incapaz de se aquecer, não importava o que tentasse. Três horas e vários cobertores mais tarde, Jesse ainda estava bem acordado. Não só ele estava frio e cansado, como ele foi agarrado por um estranho medo que ele nunca experimentou antes, um medo de que algo horrível pudesse acontecer se ele se deixasse caísse no sono. Se eu for dormir, nunca vou acordar. Toda vez que ele sentia-se sonolento, o medo o trazia de volta à vigília. O padrão repetiu-se na noite seguinte, e a noite depois disso. Logo a insônia tornou-se uma provação noturna. Jesse sabia que seu medo era irracional, mas ele se sentia indefeso para acabar com isso.

Escutei atentamente enquanto Jesse falava. O que se destacou para mim era um detalhe incomum — ele estava extremamente frio, “congelando”, ele disse, antes do primeiro episódio. Comecei a explorar isso com Jesse e perguntei se alguém de ambos os lados da família sofria de um trauma que envolvesse “frio”, ou estar “adormecido” ou algo com a idade “dezenove”.

Jesse revelou que sua mãe tinha recentemente informado sobre a trágica morte do irmão mais velho de seu pai — um tio que ele nunca soube que ele tinha. O tio Colin tinha apenas dezenove anos quando congelou até a morte controlando as linhas de energia em uma tempestade ao norte de Yellowknife, nos Territórios do Noroeste do Canadá. Trilhas na neve revelaram que ele tinha se esforçado para não cair. Eventualmente, ele foi encontrado à beira de uma nevasca, tendo perdido consciência por conta da hipotermia. Sua morte foi uma perda tão trágica que a família nunca falou seu nome novamente. Agora, três décadas depois, Jesse estava inconscientemente revivendo aspectos da morte de Colin — especificamente, o terror inconsciente de adormecer. Para Colin, cair significava morte. Para Jesse, adormecer deve ter sentido o mesmo.

Fazer a conexão foi um ponto de virada para Jesse. Uma vez que ele percebeu que sua insônia tinha sua origem em um evento que ocorreu trinta anos antes, ele finalmente teve uma explicação para o medo de adormecer. O processo de cura agora poderia começar. Com ferramentas que Jesse aprendeu em nosso trabalho em conjunto, que será detalhado mais adiante neste livro, ele conseguiu se libertar do trauma sofrido por um tio que ele nunca conheceu, mas cujo terror ele inconscientemente assumiu como seu. Não só Jesse se sentiu livre da neblina pesada da insônia, ele ganhou uma sensação mais profunda de conexão com sua família, com seu presente e seu passado.

Na tentativa de explicar histórias como a de Jesse, os cientistas agora são capazes de identificar marcadores biológicos — evidências de que os traumas podem e passam de uma geração para a outra. Rachel Yehuda, professora de psiquiatria e neurociência na Mount Sinai School of Medicine em Nova York, é um dos principais especialistas mundiais em estresse pós-traumático, uma verdadeira pioneira neste campo. Em numerosos estudos, Yehuda examinou a neurobiologia do TEPT em sobreviventes do Holocausto e seus filhos. Sua pesquisa sobre o cortisol em particular (o hormônio do estresse que ajuda nosso corpo a voltar ao normal depois de experimentar um trauma) e seus efeitos sobre a função cerebral revolucionaram a compreensão e o tratamento do TEPT em todo o mundo. (Pessoas com TEPT revivem sentimentos e sensações associadas a um trauma apesar do fato de que o trauma ocorreu no passado.)

Yehuda e sua equipe descobriram que os filhos de sobreviventes do Holocausto que tinham TEPT nasceram com níveis baixos de cortisol semelhantes aos seus pais, predispondo-os a reviver os sintomas de TEPT da geração anterior. Sua descoberta de níveis baixos de cortisol em pessoas que experimentaram um evento traumático agudo tem sido controversa, indo contra a noção de longa data de que o estresse está associado a altos níveis de cortisol. Especificamente, nos casos de TEPT crônica, a produção de cortisol pode ser suprimida, contribuindo para os baixos níveis medidos em ambos os sobreviventes e seus filhos.

Yehuda descobriu níveis baixos de cortisol em veteranos de guerra, bem como em mães grávidas que desenvolveram TEPT depois de serem expostas aos ataques do World Trade Center e em seus filhos. Não só ela descobriu que os sobreviventes em seu estudo produziram menos cortisol, uma característica que eles podem transmitir aos seus filhos, ela observa que vários distúrbios psiquiátricos relacionados ao estresse, incluindo TEPT, síndrome da dor crônica e síndrome da fadiga crônica, estão associados a baixos níveis sanguíneos de cortisol. Curiosamente, 50 a 70 % dos pacientes com TEPT também atendem os critérios diagnósticos para depressão maior ou outra disposição ou transtorno de ansiedade.

A pesquisa de Yehuda demonstra que você e eu somos três vezes mais propensos a experimentar sintomas de TEPT se um dos nossos pais tiveram TEPT e, como resultado, é provável que soframos de depressão ou ansiedade. Ela acredita que este tipo de TEPT geracional é herdado, em vez de ocorrer de nossa exposição às histórias de nossos pais sobre suas provações. Yehuda foi uma dos primeiros pesquisadores a mostrar como descendentes de sobreviventes de trauma carregam sintomas físicos e emocionais de traumas que eles não experimentam diretamente.

Esse foi o caso com Gretchen:

Depois de anos tomando antidepressivos, participando de sessões de conversação e terapia grupal e tentar várias abordagens cognitivas para mitigar os efeitos do estresse, seus sintomas de depressão e ansiedade permaneceram inalterados.

Gretchen me disse que não queria mais viver. Enquanto ela se lembrava, ela lutava com emoções tão intensas que mal podiam conter os surtos em seu corpo. Gretchen foi admitida várias vezes em um hospital psiquiátrico onde foi diagnosticada como bipolar com transtorno de ansiedade grave. A medicação trouxe um ligeiro alívio, mas nunca tocou nos poderosos impulsos suicidas que viviam dentro dela. Quando adolescente, ela se machucou ao queimar-se com uma bituca ainda acesa de um cigarro. Agora, aos trinta e nove anos, Gretchen tinha tido o suficiente. Sua depressão e ansiedade, disse ela, impediram que ela se casasse e tivesse filhos. Num tom de voz surpreendentemente importante, ela me disse que estava planejando suicidar-se antes do próximo aniversário.

Ouvindo Gretchen, tive o forte senso de que deve haver um trauma significativo na história da família. Em tais casos, considero essencial prestar muita atenção às palavras que estão sendo faladas por indícios do evento traumático subjacente aos sintomas de um cliente.

Quando perguntei como ela planejava se matar, Gretchen disse que ia se vaporizar. Por mais incompreensível que possa parecer para a maioria de nós, seu plano era, literalmente, pular em um tonel de aço fundido na fábrica onde seu irmão trabalhava. “Meu corpo irá incinerar em segundos”, disse ela, olhando diretamente nos meus olhos, “mesmo antes de chegar ao fundo”.

Fiquei impressionado com a falta de emoção enquanto ela falava. Qualquer coisa que estivesse presa parecia ter sido abandonada por dentro. Ao mesmo tempo, as palavras “vaporizavam” e “incineravam” palpitaram dentro de mim. Tendo trabalhado com muitos filhos e netos cujas famílias foram afetadas pelo Holocausto, aprendi, a deixar suas palavras me levarem. Eu queria que Gretchen me contasse mais.

Perguntei se alguém em sua família era judeu ou estava envolvido no Holocausto. Gretchen começou a dizer que não, mas depois se deteve e lembrou uma história sobre sua avó. Ela nasceu em uma família judaica na Polônia, mas se converteu ao catolicismo quando veio para aos Estados Unidos em 1946 e casou-se com o avô de Gretchen. Dois anos antes, a família inteira de sua avó havia morrido nos fornos de Auschwitz. Eles tinham sido literalmente vaporizados — envoltos em vapores venenosos — e incinerados. Ninguém na família imediata de Gretchen nunca falou com sua avó sobre a guerra, nem sobre o destino de seus irmãos ou seus pais. Em vez disso, como é frequentemente o caso de trauma extremo, eles evitam o assunto por completo.

Gretchen conhecia os fatos básicos de sua história familiar, mas nunca a havia conectado isso à sua própria ansiedade e depressão. Ficou claro para mim que as palavras que ela usava e os sentimentos que ela descreveu não se originaram com ela, mas de fato se originaram com sua avó e os membros da família que perderam a vida.

Quando expliquei a conexão, Gretchen ouviu atentamente. Seus olhos se arregalaram e a cor subiu nas bochechas. Eu poderia dizer que o que eu disse estava ressoando. Pela primeira vez, Gretchen teve uma explicação para o sofrimento que fazia sentido para ela.

Para ajudá-la a aprofundar seu novo entendimento, convidei-a a imaginar em pé nos sapatos da sua avó, representada por um par de pegadas de borracha de espuma que coloquei no tapete no centro do meu escritório. Pedi-lhe que imaginasse sentir o que a avó poderia ter sentido depois de ter perdido todos os seus entes queridos. Levando-o mesmo a um passo adiante, perguntei-lhe se ela poderia literalmente ficar de pé nas pegadas como sua avó e sentir os sentimentos de sua avó em seu próprio corpo. Gretchen relatou sensações de perda e sofrimento muito fortes, solidão e isolamento. Ela também experimentou o profundo sentimento de culpa que muitos sobreviventes sentem e a sensação de permanecer vivo enquanto os entes queridos foram mortos.

Chegar a um acordo com trauma

Para processar trauma, muitas vezes é útil para os clientes ter uma experiência direta dos sentimentos e sensações que foram submersos no seu corpo. Quando Gretchen conseguiu acessar essas sensações, ela percebeu que seu desejo de se aniquilar estava profundamente entrelaçado com seus familiares perdidos. Ela também percebeu que adotara algum elemento do desejo de sua avó de morrer. Quando Gretchen absorveu esse entendimento, vendo a história da família em uma nova luz, seu corpo começou a suavizar, como se algo dentro dela tivesse sido enrolado até agora e então ela poderia relaxar.

Tal como acontece com Jesse, o reconhecimento de Gretchen de que seu trauma estava enterrado na história não pronunciada da sua família era apenas o primeiro passo em seu processo de cura. Uma compreensão intelectual por si só raramente é suficiente para uma mudança duradoura para ocorrer. Muitas vezes, a consciência precisa ser acompanhada por uma experiência visceral profundamente sentida.

Uma herança familiar inesperada

Um menino pode ter as pernas longas de seu avô e uma garota pode ter o nariz de sua mãe, mas Jesse havia herdado o medo de seu tio de nunca acordar, e Gretchen carregou a história do Holocausto da família em sua depressão. Adormecido dentro de cada um deles estavam fragmentos de traumas demais para serem resolvidos em uma geração.

Quando aqueles em nossa família experimentaram traumas insuportáveis ou sofrem com imensa culpa ou sofrimento, os sentimentos podem ser esmagadores e podem escalar além do que eles podem gerenciar ou resolver. É a natureza humana; Quando a dor é muito grande, as pessoas tendem a evitá-la. No entanto, quando bloqueamos os sentimentos, inconscientemente entravamos o processo de cura necessário que pode nos levar a uma libertação natural.

Às vezes, a dor submerge até encontrar um caminho para expressão ou resolução. Essa expressão é frequentemente encontrada nas gerações que se seguem e pode ressurgir como sintomas que são difíceis de explicar. Para Jesse, o frio e o tremor implacáveis não apareceram até atingir a idade que seu tio Colin estava quando congelou até a morte. Para Gretchen, a ansiedade e desespero e os impulsos suicidas de sua avó estiveram com ela durante o tempo que ela conseguiu lembrar. Esses sentimentos se tornaram uma parte de sua vida que ninguém jamais pensou em considerar que os sentimentos não se originavam com ela.

Atualmente, nossa sociedade não oferece muitas opções para ajudar pessoas como Jesse e Gretchen que carregam remanescentes de trauma familiar herdado. Normalmente, eles podem consultar um médico, psicólogo ou psiquiatra e receber medicamentos, terapia ou alguma combinação de ambos. Mas, embora essas caminhos possam trazer algum alívio, geralmente não fornecem uma solução completa.

Nem todos nós temos traumas tão dramáticos quanto os de Gretchen ou Jesse na nossa história familiar. No entanto, eventos como a morte de um bebê, uma criança dada para adoção, a perda da casa ou mesmo a falta da atenção de uma mãe ou pai podem ter o efeito de colapsar os muros de apoio e restringir o fluxo de amor em nossa família . Com a origem desses traumas à vista, os padrões familiares de longa data podem finalmente ser postos para descansar. É importante notar que nem todos os efeitos do trauma são negativos.

De acordo com Rachel Yehuda, o propósito de uma mudança epigenética é expandir o leque de maneiras de responder em situações estressantes, o que ela diz é positivo. “Quem você preferiria que estivesse em uma zona de guerra?”, Ela pergunta. “Alguém que teve adversidade prévia sabe como se defender? Ou alguém que nunca teve que lutar por nada? “Uma vez que entendemos o que as mudanças biológicas do estresse e do trauma devem fazer, ela diz:” Nós podemos desenvolver uma maneira melhor de nos explicar quais são nossas verdadeiras capacidades e potenciais”.

Visto desta maneira, os traumas que herdamos ou experimentamos em primeira mão não só podem criar um legado de angústia, mas também podem forjar um legado de força e resiliência que podem ser sentidas pelas gerações vindouras."



Referências:
Tradução: Yatahaze / Publicado nos sites Medium e Antroposofy

Treating Trauma Survivors With PTSD – Rachel Yehuda
It Didn't Start With You - How Inherited Family Trauma Shapes Who We Are And How To End The Cycle – Mark Wolynn


Contos tradicionais na contemporaneidade...

 A Cigarra e a Formiga 



Claro, esta é uma parábola fictícia e de cunho reflexivo, apenas...

Digamos que a formiga representa o Povo. E a cigarra representa o político. O povo trabalha, carrega folhas para os estoques diários e para suportar o inverno, constrói o formigueiro, cuida da sua comunidade no sentido de saúde, saneamento, transporte, segurança. Há muito o que fazer. Muito trabalho.

A cigarra, bem, a cigarra canta. A cigarra fica no ouvido da formiguinha falando um monte de coisas. Que o sol é belo. Que ela admira a natureza. Que a vida é melhor quando se canta. Que ela admira o trabalho da formiguinha. Que ela tem ideias para favorecer a formiguinha. Que ela preza a amizade da formiguinha. Que ela se sente parecida com a formiguinha. Que a formiguinha pode estar sendo prejudicado por não ter melhor acesso à saúde, educação e transporte. A cigarra tem ótimas ideias para saúde, educação e transporte. A cigarra canta cada vez mais alto o quando a formiguinha deveria ter melhores condições. Talvez a formiguinha pudesse mudar o padrão de vida. Talvez a formiguinha pudesse cantar como a cigarra...quem sabe?

A formiguinha ouve e continua a trabalhar. Claro, caso contrario o formigueiro não existiria. A cigarra continua a cantar. Sua melodia repetitiva, estridente e constante.

A formiguinha começa a achar que a cigarra seria um bom representante para a categoria dela. Poderia trazer melhorias. A cigarra pede muito pouco...apenas a confiança da formiguinha. Um espaço de representatividade junto ao formigueiro. Um salário condizente com suas grandes ideias e conhecimentos. Tudo pode ser Melhor! A mudança virá, e será para o bem da formiguinha.

A cigarra é eleita representante política da formiguinha. O inverno chega. A cigarra recebe um aconchegante e grande espaço no formigueiro e é servida pelas mais diversas especiarias e serviços disponíveis no formigueiro - que são diversos, a formiga trabalhou primavera, verão e outono para alcançar aquilo.

A cigarra, como representante político fiscaliza o armazém de comida, a infra estrutura e engenharia do formigueiro, as gerais condições do ambiente - percebendo a força do inverno chega a uma conclusão de incrível sabedoria para ela própria. O formigueiro passará por uma crise! Sim, crise, esta inverno! A formiguinha deveria ter trabalhado mais. Não haverá o suficiente para todos. Por causa disto cigarra assume a administração e distribuição internamente no formigueiro. Alguém precisa saber o que o povo precisa. E a cigarra sabe cantar. Ela sabe das coisas.

Já que há crise e temendo por seu suprimento diário de comida e aconchego a cigarra estabelece algumas taxas e impostos para a formiga. A formiguinha precisará trabalhar no inverno para conseguir pagar os tributos e poder manter seu lugar no formigueiro. A formiga precisa trabalhar mais para o bem comum. A cigarra se preocupa pois são muitos para cuidar e administrar. Claro que outras representantes cigarras ocupam lugares importantes nos setores de administração, finanças e comunicação do formigueiro, para organizar e cuidar de tudo.

O inverno é rigoroso e há muitas perdas. Muitas formigas são sacrificadas.Mas a promessa é que tudo vai melhorar. A formiga só precisa trabalhar. 

A formiga trabalha. Ela sabe trabalhar. Sempre soube. É disciplinada e dedicada. Está feliz pois tem a cigarra como representante. A cigarra cuida dela. Tudo vai melhorar...