Pesquisar este blog

Contos tradicionais na contemporaneidade...

 A Cigarra e a Formiga 



Claro, esta é uma parábola fictícia e de cunho reflexivo, apenas...

Digamos que a formiga representa o Povo. E a cigarra representa o político. O povo trabalha, carrega folhas para os estoques diários e para suportar o inverno, constrói o formigueiro, cuida da sua comunidade no sentido de saúde, saneamento, transporte, segurança. Há muito o que fazer. Muito trabalho.

A cigarra, bem, a cigarra canta. A cigarra fica no ouvido da formiguinha falando um monte de coisas. Que o sol é belo. Que ela admira a natureza. Que a vida é melhor quando se canta. Que ela admira o trabalho da formiguinha. Que ela tem ideias para favorecer a formiguinha. Que ela preza a amizade da formiguinha. Que ela se sente parecida com a formiguinha. Que a formiguinha pode estar sendo prejudicado por não ter melhor acesso à saúde, educação e transporte. A cigarra tem ótimas ideias para saúde, educação e transporte. A cigarra canta cada vez mais alto o quando a formiguinha deveria ter melhores condições. Talvez a formiguinha pudesse mudar o padrão de vida. Talvez a formiguinha pudesse cantar como a cigarra...quem sabe?

A formiguinha ouve e continua a trabalhar. Claro, caso contrario o formigueiro não existiria. A cigarra continua a cantar. Sua melodia repetitiva, estridente e constante.

A formiguinha começa a achar que a cigarra seria um bom representante para a categoria dela. Poderia trazer melhorias. A cigarra pede muito pouco...apenas a confiança da formiguinha. Um espaço de representatividade junto ao formigueiro. Um salário condizente com suas grandes ideias e conhecimentos. Tudo pode ser Melhor! A mudança virá, e será para o bem da formiguinha.

A cigarra é eleita representante política da formiguinha. O inverno chega. A cigarra recebe um aconchegante e grande espaço no formigueiro e é servida pelas mais diversas especiarias e serviços disponíveis no formigueiro - que são diversos, a formiga trabalhou primavera, verão e outono para alcançar aquilo.

A cigarra, como representante político fiscaliza o armazém de comida, a infra estrutura e engenharia do formigueiro, as gerais condições do ambiente - percebendo a força do inverno chega a uma conclusão de incrível sabedoria para ela própria. O formigueiro passará por uma crise! Sim, crise, esta inverno! A formiguinha deveria ter trabalhado mais. Não haverá o suficiente para todos. Por causa disto cigarra assume a administração e distribuição internamente no formigueiro. Alguém precisa saber o que o povo precisa. E a cigarra sabe cantar. Ela sabe das coisas.

Já que há crise e temendo por seu suprimento diário de comida e aconchego a cigarra estabelece algumas taxas e impostos para a formiga. A formiguinha precisará trabalhar no inverno para conseguir pagar os tributos e poder manter seu lugar no formigueiro. A formiga precisa trabalhar mais para o bem comum. A cigarra se preocupa pois são muitos para cuidar e administrar. Claro que outras representantes cigarras ocupam lugares importantes nos setores de administração, finanças e comunicação do formigueiro, para organizar e cuidar de tudo.

O inverno é rigoroso e há muitas perdas. Muitas formigas são sacrificadas.Mas a promessa é que tudo vai melhorar. A formiga só precisa trabalhar. 

A formiga trabalha. Ela sabe trabalhar. Sempre soube. É disciplinada e dedicada. Está feliz pois tem a cigarra como representante. A cigarra cuida dela. Tudo vai melhorar...

“Para Amar, É Necessário Reconhecer Que Se Tem Necessidade Do Outro”


Entrevista com Jacques Alain Miller.
"Alguns sabem provocar o amor no outro, os serial lovers – se posso dizer – homens e mulheres. Eles sabem quais botões apertar para se fazer amar. Porém, não necessariamente amam, mais brincam de gato e rato com suas presas. Para amar, é necessário confessar sua falta e reconhecer que se tem necessidade do outro, que ele lhe falta. Os que creem ser completos sozinhos, ou querem ser, não sabem amar. E, às vezes, o constatam dolorosamente. Manipulam, mexem os pauzinhos, mas do amor não conhecem nem o risco, nem as delícias”. Jacques-Alain Miller

Psychologies: A psicanálise ensina alguma coisa sobre o amor?
Jacques-Alain Miller: Muito, pois é uma experiência cuja fonte é o amor. Trata-se desse amor automático, e frequentemente inconsciente, que o analisando dirige ao analista e que se chama transferência. É um amor fictício, mas é do mesmo estofo que o amor verdadeiro. Ele atualiza sua mecânica: o amor se dirige àquele que a senhora pensa que conhece sua verdade verdadeira. Porém, o amor permite imaginar que essa verdade será amável, agradável, enquanto ela é, de fato, difícil de suportar.

Psychologies: Então, o que é amar verdadeiramente?
Jacques-Alain Miller: Amar verdadeiramente alguém é acreditar que ao amá-lo, alcançará uma verdade sobre si. Amamos aquele que conserva a resposta, à nossa questão: “quem sou eu?”.

Psychologies: Por que alguns sabem amar e outros não?
Jacques-Alain Miller: Alguns sabem provocar o amor no outro, os serial lovers – se posso dizer – homens e mulheres. Eles sabem quais botões apertar para se fazer amar. Porém, não necessariamente amam, mais brincam de gato e rato com suas presas. Para amar, é necessário confessar sua falta e reconhecer que se tem necessidade do outro, que ele lhe falta. Os que creem ser completos sozinhos, ou querem ser, não sabem amar. E, às vezes, o constatam dolorosamente. Manipulam, mexem os pauzinhos, mas do amor não conhecem nem o risco, nem as delícias.
Psychologies: “Ser completo sozinho”: só um homem pode acreditar nisso…
Jacques-Alain Miller: Acertou! “Amar, dizia Lacan, é dar o que não se tem”. O que quer dizer: amar é reconhecer sua falta e doá-la ao outro, colocá-la no outro. Não é dar o que se possui, os bens, os presentes: é dar algo que não se possui, que vai além de si mesmo. Para isso, é preciso se assegurar de sua falta, de sua “castração”, como dizia Freud. E isso é essencialmente feminino. Só se ama verdadeiramente a partir de uma posição feminina. Amar feminiza. É por isso que o amor é sempre um pouco cômico em um homem. Porém, se ele se deixa intimidar pelo ridículo, é que, na realidade, não está seguro de sua virilidade.

Psychologies: Amar seria mais difícil para os homens?
Jacques-Alain Miller: Ah, sim! Mesmo um homem enamorado tem retornos de orgulho, assaltos de agressividade contra o objeto de seu amor, porque esse amor o coloca na posição de incompletude, de dependência. É por isso que pode desejar as mulheres que não ama, a fim de reencontrar a posição viril que coloca em suspensão quando ama. Esse princípio Freud denominou a “degradação da vida amorosa” no homem: a cisão do amor e do desejo sexual.

Psychologies: E nas mulheres?
Jacques-Alain Miller: É menos habitual. No caso mais freqüente há desdobramento do parceiro masculino. De um lado, está o amante que as faz gozar e que elas desejam, porém, há também o homem do amor, feminizado, funcionalmente castrado. Entretanto, não é a anatomia que comanda: existem as mulheres que adotam uma posição masculina. E cada vez mais. Um homem para o amor, em casa; e homens para o gozo, encontrados na Internet, na rua, no trem…

Psychologies: Por que “cada vez mais”?
Jacques-Alain Miller: Os estereótipos socioculturais da feminilidade e da virilidade estão em plena mutação. Os homens são convidados a acolher suas emoções, a amar, a se feminizar; as mulheres, elas, conhecem ao contrário um certo “empuxo-ao-homem”: em nome da igualdade jurídica são conduzidas a repetir “eu também”. Ao mesmo tempo, os homossexuais reivindicam os direitos e os símbolos dos héteros, como casamento e filiação. Donde uma grande instabilidade dos papéis, uma fluidez generalizada do teatro do amor, que contrasta com a fixidez de antigamente. O amor se torna “líquido”, constata o sociólogo Zygmunt Bauman. Cada um é levado a inventar seu próprio “estilo de vida” e a assumir seu modo de gozar e de amar. Os cenários tradicionais caem em lento desuso. A pressão social para neles se conformar não desapareceu, mas está em baixa.

Psychologies: “O amor é sempre recíproco”, dizia Lacan. Isso ainda é verdade no contexto atual? O que significa?
Jacques-Alain Miller: Repete-se esta frase sem compreendê-la ou compreendendo-a mal. Ela não quer dizer que é suficiente amar alguém para que ele vos ame. Isso seria absurdo. Quer dizer: “Se eu te amo é que tu és amável. Sou eu que amo, mas tu, tu também estás envolvido, porque há em ti alguma coisa que me faz te amar. É recíproco porque existe um vai-e-vem: o amor que tenho por ti é efeito do retorno da causa do amor que tu és para mim. Portanto, tu não estás aí à toa. Meu amor por ti não é só assunto meu, mas teu também. Meu amor diz alguma coisa de ti que talvez tu mesmo não conheças”. Isso não assegura, de forma alguma, que ao amor de um responderá o amor do outro: isso, quando isso se produz, é sempre da ordem do milagre, não é calculável por antecipação.

Psychologies: Não se encontra seu ‘cada um’, sua ‘cada uma’ por acaso. Por que ele? Por que ela?
Jacques-Alain Miller: Existe o que Freud chamou de Liebesbedingung, a condição do amor, a causa do desejo. É um traço particular – ou um conjunto de traços – que tem para cada um função determinante na escolha amorosa. Isto escapa totalmente às neurociências, porque é próprio de cada um, tem a ver com sua história singular e íntima. Traços às vezes ínfimos estão em jogo. Freud, por exemplo, assinalou como causa do desejo em um de seus pacientes um brilho de luz no nariz de uma mulher!
Psychologies: É difícil acreditar em um amor fundado nesses elementos sem valor, nessas baboseiras!
Jacques-Alain Miller: A realidade do inconsciente ultrapassa a ficção. A senhora não tem ideia de tudo o que está fundado, na vida humana, e especialmente no amor, em bagatelas, em cabeças de alfinete, os “divinos detalhes”. É verdade que, sobretudo no macho, se encontram tais causas do desejo, que são como fetiches cuja presença é indispensável para desencadear o processo amoroso. As particularidades miúdas, que relembram o pai, a mãe, o irmão, a irmã, tal personagem da infância, também têm seu papel na escolha amorosa das mulheres. Porém, a forma feminina do amor é, de preferência, mais erotômana que fetichista : elas querem ser amadas, e o interesse, o amor que alguém lhes manifesta, ou que elas supõem no outro, é sempre uma condição sine qua non para desencadear seu amor, ou, pelo menos, seu consentimento. O fenômeno é a base da corte masculina.

Psychologies: O senhor atribui algum papel às fantasias?
Jacques-Alain Miller: Nas mulheres, quer sejam conscientes ou inconscientes, são mais determinantes para a posição de gozo do que para a escolha amorosa. E é o inverso para os homens. Por exemplo, acontece de uma mulher só conseguir obter o gozo – o orgasmo, digamos – com a condição de se imaginar, durante o próprio ato, sendo batida, violada, ou de ser uma outra mulher, ou ainda de estar ausente, em outro lugar.

Psychologies: E a fantasia masculina?
Jacques-Alain Miller: Está bem evidente no amor à primeira vista. O exemplo clássico, comentado por Lacan, é, no romance de Goethe, a súbita paixão do jovem Werther por Charlotte, no momento em que a vê pela primeira vez, alimentando ao numeroso grupo de crianças que a rodeiam. Há aqui a qualidade maternal da mulher que desencadeia o amor. Outro exemplo, retirado de minha prática, é este: um patrão qüinquagenário recebe candidatas a um posto de secretária. Uma jovem mulher de 20 anos se apresenta; ele lhe declara de imediato seu fogo. Pergunta-se o que o tomou, entra em análise. Lá, descobre o desencadeante: ele havia nela reencontrado os traços que evocavam o que ele próprio era quando tinha 20 anos, quando se apresentou ao seu primeiro emprego. Ele estava, de alguma forma, caído de amores por ele mesmo. Reencontra-se nesses dois exemplos, as duas vertentes distinguidas por Freud: ama-se ou a pessoa que protege, aqui a mãe, ou a uma imagem narcísica de si mesmo.

Psychologies: Tem-se a impressão de que somos marionetes!
Jacques-Alain Miller: Não, entre tal homem e tal mulher, nada está escrito por antecipação, não há bússola, nem proporção pré-estabelecida. Seu encontro não é programado como o do espermatozóide e do óvulo; nada a ver também com os genes. Os homens e as mulheres falam, vivem num mundo de discurso, e isso é determinante. As modalidades do amor são ultra-sensíveis à cultura ambiente. Cada civilização se distingue pela maneira como estrutura a relação entre os sexos. Ora, acontece que no Ocidente, em nossas sociedades ao mesmo tempo liberais, mercadológicas e jurídicas, o “múltiplo” está passando a destronar o “um”. O modelo ideal do “grande amor de toda a vida” cede, pouco a pouco, terreno para o speed dating, o speed loving e toda floração de cenários amorosos alternativos, sucessivos, inclusive simultâneos.
Psychologies: E o amor no tempo, em sua duração? Na eternidade?
Jacques-Alain Miller: Dizia Balzac: “Toda paixão que não se acredita eterna é repugnante”. Entretanto, pode o laço se manter por toda a vida no registro da paixão? Quanto mais um homem se consagra a uma só mulher, mais ela tende a ter para ele uma significação maternal: quanto mais sublime e intocada, mais amada. São os homossexuais casados que melhor desenvolvem esse culto à mulher: Aragão canta seu amor por Elsa; assim que ela morre, bom dia rapazes! E quando uma mulher se agarra a um só homem, ela o castra. Portanto, o caminho é estreito. O melhor caminho do amor conjugal é a amizade, dizia, de fato, Aristóteles.

Psychologies: O problema é que os homens dizem não compreender o que querem as mulheres; e as mulheres, o que os homens esperam delas…
Jacques-Alain Miller: Sim. O que faz objeção à solução aristotélica é que o diálogo de um sexo ao outro é impossível, suspirava Lacan. Os amantes estão, de fato, condenados a aprender indefinidamente a língua do outro, tateando, buscando as chaves, sempre revogáveis. O amor é um labirinto de mal entendidos onde a saída não existe.



Entrevista realizada por Hanna Waar e publicada na Psychologies Magazine de outubro 2008 (n° 278). Tradução de Maria do Carmo Dias Batista.

V Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência & Profissão

Trabalhos aprovados a serem apresentados como conferências pelo psicólogo René Schubert no V Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência & Profissão



- Constelação Familiar: da postura fenomenológica ao olhar e teoria sistêmica

"A partir da manifestações e movimentos no Brasil da técnica alternativa das Constelações Familiares pretende-se com esta apresentação refletir e levantar o histórico e as bases teóricas por detrás desta abordagem caracterizada como fenomenológico-sistêmica. Estudando a origem da técnica se tem a informação de que as constelações familiares tiveram início na Alemanha há 35 anos sendo introduzidas ao publico pelo filósofo e psicoterapeuta Bert Hellinger. O movimento inicial se dá na Alemanha e Áustria e segue se espalhando pela Europa, Asia, Estados Unidos e América Latina. Este pensador reuniu diversos campos do saber e experiencias terapêuticas para configurar desta maneira a constelação familiar, e a partir disto diversos profissionais da área da saúde e posteriormente da educação, administração e direito começaram a aplicar a técnica e desenvolver variações e adaptações. Bert Hellinger aponta que a técnica está a serviço da percepção e consciencia pelo cliente de seu lugar ocupado na família e sociedade, a qualidade dos vínculos e trocas estabelecidas e possibilidade de reconciliação com a própria historia. Diversos autores do campo da psicologia, medicina e filosofia na Europa e Estados Unidos começaram a apontar as origens e bases desta técnica e também relacionar a estas origens a força da mesma. Entre algumas das referências utilizadas temos a Gestalt terapia, a psicanalise, a psicologia analítica, o psicodrama, a terapia familiar sistêmica, a hipnoterapia, a analise transacional, entre outras. Desta maneira propõe-se nesta conferência apontar, refletir e discutir este tecido teórico, suas apresentações e aplicações nesta terapêutica alternativa."

Palavras-Chave: Constelação Familiar; Base Teórica; Filosofia; Psicologia

- Sindrome de Floating Harbor e/ou Sindrome Pellitier-Leisti: Estudo de Caso Clínico

"Estão documentados menos de 50 casos da Síndrome de Floating-Harbor na literatura médica. A sua causa é desconhecida. A maioria dos casos são esporádicos, mas alguns são hereditários, de transmissão autossómica dominante. A síndrome apresenta como fenótipo típico o rosto triangular com um nariz proeminente. Baixa estatura e atraso na aquisição da linguagem expressiva são comumente descritos. Também algumas anomalias quanto ao desenvolvimento dentário e possíveis quadros de doença celíaca. A puberdade pode adiantar-se. Há algumas ocorrências de deficiência intelectual(leve), mas o mesmo não é percebido em todos os casos. Pretende-se nesta apresentação fazer o relato de caso do acompanhamento em psicoterapia de um jovem que apresenta a referida síndrome. O tratamento psicoterapêutico começou aos seus 6 anos em 2012 até o momento em 2017, e a descrição será deste acompanhamento psicológico com o paciente, a família, a escola e com os demais colegas de outras áreas que acompanham o caso. Avaliações psicométricas de inteligência foram realizadas durante todos estes anos e serão também apresentadas."

Palavras-chaves: Sindrome de Floating Harbor, Sindrome Pellitier-Leisti, Estudo de caso, Psicoterapia, Psicodiagnóstico

- Uma experiência em clínica psiquiátrica infantil permeada pelo Humor

"É abordado e discutido nesta pesquisa o uso do conceito psicanalítico Witz (chiste) freudiano e o humor como ferramenta clínica de interpretação, manejo e pontuação na prática cotidiana do profissional que atua na área de Saúde Mental. Partindo da experiência do autor em Hospital Psiquiátrico Infantil, são contextualizadas teorias e reflexões sobre o uso do humor e da tirada espirituosa neste ambiente de tratamento - tanto com a clientela infantil como com a equipe clínica. Por sua característica plástica e efeito de surpresa tanto o Witz como o humor demonstram ser ferramentas clínicas pontuais e possíveis em seu uso para trabalhar a angústia e dinâmica clínica dos pacientes vislumbrados nesta pesquisa. Para ser didático selecionou-se para esta conferência um caso clinico especifico no qual será baseada toda a discussão teórica e clinica acerca do uso do humor, da descontração como forma terapêutica de estabelecimento e manutenção de vinculo, troca, flexibilização psíquica e possível ferramenta de elaboração psíquica." 
Palavras chave: Witz (chiste), Humor, Psicose infantil, Equipe multiprofissional


Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira, composto por entidades da Psicologia, convida a todos para o V Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão.
O Congresso, que está se preparando para a sua 5ª edição, é:
  • espaço para o diálogo da diversidade da Psicologia no Brasil;
  • discutir propostas psicopedagógicas e a intervenção dos blogs na educação brasileira
  • lugar para o encontro da ciência e da profissão, que permite haver uma contribuição significativa na produção dos saberes e fazeres da Psicologia;
  • momento importante no desenvolvimento da identidade dos psicólogos
  • possibilidade para que todas as questões, abordagens e construções da Psicologia se apresentem e possam ser divulgadas e debatidas
  • lugar do desenvolvimento do compromisso da Psicologia com as necessidades da sociedade brasileira.
O Congresso será realizado na Universidade Nove de Julho, Campus Memorial, em São Paulo. Home page: http://www2.pol.org.br/inscricoesonline/cbp/2018/

Psicoterapia: Desabafar muda o cérebro

Contar um trauma altera funções cerebrais e ajuda a superar a dor , relata o psicoterapeuta Julio Peres.




Falar sobre as dores vividas é essencial para superar um trauma. Ao fazer isso, a pessoa é capaz de reorganizar sentimentos. Até aí, nenhuma novidade. O psicólogo Julio Peres, de 38 anos, foi além. Conseguiu mostrar que a conversa modifica o funcionamento do cérebro. A pesquisa, tema de doutorado de Peres em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, deve ser publicada em junho na revista Journal of Psychological Medicine. O estudo foi feito com 16 pacientes que sofreram estresse pós-traumático parcial (que não apresentam todos os critérios de diagnóstico). Eles passaram por oito sessões de psicoterapia. Os indivíduos narraram o momento traumático várias vezes. Depois, foram convidados a relembrar situações difíceis que viveram anteriormente e a sensação positiva que tiveram ao superar o problema. Exames de tomografia ao final do tratamento revelaram que o funcionamento cerebral é modificado com a narração. "Quem passou pela psicoterapia apresentou maior atividade no córtex pré-frontal, que está envolvido com a classificação e a 'rotulagem' da experiência", diz Peres. "Por outro lado, a atividade da amígdala, que está relacionada à expressão do medo, foi menos intensa." Isso fortalece a tese de que falar sobre o problema ajuda a pessoa traumatizada a controlar a memória da dor que sofreu.



ÉPOCA - Como foi realizado o estudo?
Julio Peres - 
Aplicamos questionários para estabelecer as modalidades sensoriais (o rosto do ladrão, o cheiro da gasolina, o barulho da freada do carro) que permaneceram na mente dos indivíduos. Antes da psicoterapia, essas sensações estavam exacerbadas. Depois dela, verificamos que o valor sensorial das memórias traumáticas diminuiu. O que aumentou foi o valor narrativo, junto com a atividade do córtex pré-frontal. É um achado importante. Significa que, à medida que a narração do evento aumenta, as respostas emocionais e as sensações são atenuadas.


ÉPOCA - Como o senhor teve a idéia do estudo?
Peres -
 Muitos profissionais da saúde não creditam o devido valor ao tratamento pela ausência de marcadores biológicos do efeito psicoterápico. Quis estudar a produção científica com o uso do método de neuroimagem funcional com a psicoterapia. No Brasil, é o primeiro estudo desse tipo. Fiz uma revisão de todos os estudos publicados no mundo. Qual foi minha surpresa? Existiam apenas 20 estudos sobre o assunto. E a neuroimagem já existe há 20 anos! 

ÉPOCA - Dá para dizer que a psicoterapia muda o funcionamento cerebral?
Peres -
 Sim. A maneira como o cérebro processa as informações muda. Os psicólogos deveriam estudar seus pacientes com métodos neurofuncionais. No Brasil, ainda é difícil. Poucas pessoas têm conhecimento sobre o assunto. 


ÉPOCA - Qual é o perfil dos pacientes estudados?
Peres -
 São pessoas que sofreram traumas, mas não preencheram todos os critérios do estresse pós-traumático. São pessoas que passaram por eventos como perda de entes queridos, acidentes, separação, abuso sexual, assalto, seqüestro. Eles representam 30% da população geral.


ÉPOCA - Quem não pode fazer psicoterapia deve compartilhar seus problemas com alguém? Isso também muda o cérebro?
Peres -
 Sim. Em geral, as pessoas traumatizadas tendem a se isolar. Não verbalizam o evento, não compartilham suas histórias. Justamente pela falta de contar e recontar essas histórias, as pessoas ficam com as memórias traumáticas fragmentadas. Medo, sensações dispersas, sem atribuição de um significado para o que aconteceu. Quando ela constrói esse significado, tem a possibilidade de reconstruir o momento trágico, trazendo um aprendizado daquele evento. Isso alivia a dor. 


ÉPOCA - Relembrar a situação traumática não é pior?
Peres -
 É exatamente isso o que os traumatizados pensam. Lembrar outra vez da dor? É como se o indivíduo voltasse ao horror experimentado. Mas, se ele não falar sobre sua memória, não consegue dar significado e entender o acontecimento. Falar modifica a interpretação. Converse com pessoas de confiança: amigos, familiares, alguém vinculado a sua crença religiosa. O mais importante é que possa de fato compartilhar. Não é falar para qualquer um. Deve ser alguém que tende a acolher. Escrever também é um caminho. O publicitário Washington Olivetto escreveu durante o trauma (enquanto estava seqüestrado). Certamente, isso o beneficiou. É um exemplo de superação. 

ÉPOCA - Em traumas semelhantes, as pessoas têm reações parecidas?
Peres 
- Os estudos mostram que em tragédias naturais avassaladoras, como tsunamis e terremotos, a resposta de cada envolvido é absolutamente diferente. Não existe uma resposta universal ao trauma. Temos estudado o que predispõe à recuperação. O que as pessoas que superam essas situações difíceis desenvolvem como qualidades? E por que aquelas que continuam traumatizadas não conseguem desenvolvê-las, pelo menos por algum tempo? ÉPOCA - O que fazer para não ficar preso às lembranças de uma tragédia?
Peres -
 Criar novos objetivos. É ver o acontecimento como uma oportunidade para o aprendizado e o crescimento pessoal. Sentimentos positivos, como o altruísmo, ajudam a pessoa a melhorar rapidamente em vez de sucumbir ao trauma. É essencial não se sentir enfraquecido, incapaz perante o que viveu. E o trauma está muito ligado à incapacidade. Por exemplo, num acidente de carro, a pessoa pensa: "Eu não pude controlar o carro e fiquei preso nas ferragens". O trauma pode marcar o indivíduo nesse sentido. Ele se sente sem condições de superá-lo. Quem cria uma aliança positiva com aquele momento sai mais facilmente da dificuldade. 


ÉPOCA - O que perpetua um trauma?
Peres -
 Em geral, os traumatizados têm a tendência de querer pagar na mesma moeda. Com pensamentos do tipo: "Mataram minha mulher e agora vou matar cada um desses caras". Quando existe o sentimento de vingança, a repetição do ciclo traumático não acaba. Não resolve o problema, e os traumas vão aumentando. 


ÉPOCA - Que substâncias o cérebro libera quando a pessoa sofre um trauma?
Peres -
 O trauma pode se estabelecer de duas maneiras. Uma é a hiperestimulação, que envolve o sistema simpático, relacionado à adrenalina. O indivíduo fica em alerta, irritado, com insônia, pensamentos intrusivos. O outro lado é a dissociação, que envolve o sistema parassimpático e a endorfina. É também uma estratégia de adaptação, de sobrevivência ao evento. Um anestesiamento. Acontece especialmente com crianças que sofreram abuso sexual, porque geralmente o agressor está em casa. E diante disso ela não pode fugir. Ela dissocia, como se não estivesse acontecendo nada. Só que as conseqüências dessa dissociação são gravíssimas. Em geral, viram adultos que não conseguem estabelecer vínculos afetivos. Aquele processo de dissociação ficou tão enraizado, como uma defesa de sobrevivência, que também tende a continuar por um bom tempo. 

ÉPOCA - Quanto tempo uma pessoa leva para superar um trauma?
Peres - 
Depende de cada pessoa, do processamento interno em relação ao ocorrido. No caso do estudo, fizemos oito sessões de terapia, com duração de uma hora e meia cada uma. E essas sessões foram suficientes para o grupo modificar as respostas emocionais. Eles ficaram mais equilibrados psicologicamente.



"Após oito sessões de psicoterapia, os pesquisadores observaram mudanças nas seguintes regiões do cérebro"



Sobre o Pesquisador e Psicólogo Julio Peres:
•  Psicólogo clínico, especialista em Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Doutorando em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)
• Autor de diversos artigos científicos sobre traumas psicológicos, psicoterapia e superação, publicados em revistas como Psychological Medicine e International Journal of Psychology



Fonte: Por Suzane Frutuoso - Revista Época, janeiro/2008 - http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR77460-8055,00.html

Ciclo de palestras abertas na Zona Norte/SP





Todo ano há uma sequência de palestras com entrada franca realizadas na Igreja Luterana - Cantareira em uma parceria entre o Pastor Ernani Röpke e o psicólogo René Schubert.   

Os dias escolhidos são de quarta feira, e o início das palestras é sempre as 20 horas. As palestras tem duração em média de uma hora e meia. Seguem as temáticas e datas selecionadas para este ano:
11.04.2018 - 20 hrs - As feridas emocionais da infância que seguem para vida adulta

20.06.2018 - 20 hrs - A linguagem do corpo: Expressão e Comunicação


29.08.2018 - 20 hrs - Tristeza, Depressão e estados depressivos


17.10.2018 - 20 hrs - Estrutura familiar e a lida com Heranças: Conflitos e Bençãos



Livro: Toques na Alma (Editora Conexão Sistêmica) - Um livro com 37 exercícios e recursos sistêmicos para caminhos e processos de Transformação. Escrito por diversos profissionais  brasileiros que atuam no campo das Constelações Familiares em seus variados e abrangentes ramos de atuação. Lançamento dia 24.03.2018, em São Paulo, das 18:30 às 20 horas



Maiores Informações:

Ernani Röpke - Pastor - Tel. (11) 2203 - 0081
René Schubert - Psicólogo - schubert_rene@hotmail.com / (11) 2836-5022

Endereço: Lutherhaus -Paróquia Cantareira - Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - Rua Comendador Quirino Teixeira , 212 - Tremembé