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Sigmund Freud explica o Carnaval


( Na imagem: Caricatura de Freud representando ao mesmo tempo Superego, Ego e Id, mas também os personagens do universo de quadrinhos DC Comics, o Duas-Caras, Batman e o Coringa)

Excelente texto escrito por Moacyr Scliar, que ilustra de forma humorada e bem clara a dinâmica interna do psiquismo utilizando as instâncias do ID (Isso), EGO (EU) e SUPEREGO (ACIMA DO EU) - ótimo para compreender de forma humorada os conflitos internos pelos quais passamos.

Como Sigmund Freud nos aponta no livro "O mal estar na civilização", o Ser Humano é um ser em conflito. Ou esta em conflito interno ( Pensamentos, afetos, lembranças, dramas e tramas) ou em conflito externo ( com a familia, amigos, colegas, cultura, lingua)...ou ambos.

 Freud explica o Carnaval

"Segundo Freud, a nossa mente é como uma casa em que vivem três habitantes. No térreo, mora um sujeito simples e meio atucanado, chamado Ego. Ele não é propriamente o dono da casa, mas cabe-lhe pagar a luz, a água, o IPTU, além de varrer o chão, lavar a roupa e cozinhar. Estas tarefas fazendo parte da vida cotidiana, Ego até não se queixaria. O pior é ter de conviver com os outros dois moradores.

No andar superior, decorado em estilo austero, com estátuas de grandes vultos da humanidade e prateleiras cheias de livros sobre leis e moral, vive um irascível senhor, chamado Superego. Aposentado – aos pregadores de moral não resta muito a fazer em nosso mundo – Superego dedica todos os esforços a uma única causa: controlar o pobre Ego. Quando liga, se lembra de alguma piada boa e ri, ou quando o Ego se atreve a cantar um sambinha, Superego bate no chão com o cetro que carrega sempre, exigindo silêncio. Se Ego resolve trazer para casa uma namorada ou mesmo uns amigos, Superego, de sua janela, adverte: não quer festinhas no domicílio.

No porão, sujíssimo, mora o terceiro habitante da casa, um troglodita conhecido como Id. Id não tem modos, não tem cultura e na verdade mal sabe falar. Em matéria de sexo, porém, tem um apetite invejável. Superego, que detesta estas coisas, exige que o Ego mantenha a inconveniente criatura sempre presa. E é o que acontece durante todo ano.

No Carnaval, porém, Id se solta. Arromba a porta do porão, salta para fora e vai para a folia, arrastando consigo o perplexo Ego que, num primeiro momento, resiste, mas depois acaba aderindo. E aí são três dias de samba,bebida, mulheres

Quando volta para casa, na quarta-feira, a primeira pessoa que vê Ego é o Superego, olhando-o fixo da janela do andar superior. Ele não precisa dizer nada, Ego sabe que errou. Humilde, enfia-se em casa, abre a porta do porão, para que o saciado Id retorne a seu reduto, e aí começa a penitência, que durará exatamente um ano.

De vez em quando, Ego tem um sonho. Ele sonha que os três fazem parte de um mesmo bloco carnavalesco, e que, juntos, se divertem a valer – o Superego é, inclusive, o folião mais animado. Mas, isto é, naturalmente, sonho."



(Outras imagem que ilustra o conflito interno das instancias psiquicas)

Metáfora do barco e do oceano

Novamente durante alguns atendimentos, supervisões e palestras foi indo e voltando uma metáfora que descrevo aqui. O interessante é que após cada conversa, explicação, aprofundamento, esta metáfora foi se alterando, elaborando e criando forças, em uma flexibilidade e plasticidade comum às palavras, sonhos e símbolos do Inconsciente.

Imagino que ela provavelmente já foi utilizada e proferida por outros, em outros momentos...mas por achar ela bela, em sua imagem e força, transcrevo-a aqui, da forma como me foi presenteada nos últimos meses de atendimentos e aulas, nas quais o tema do EU e do Inconsciente foram presentes e vivos...



Quando olhamos para imensidão do oceano sentimos sua amplitude, grandeza...talvez venham sentimentos de curiosidade, insegurança, medo, desafio...mas vemos o oceano em sua superfície, não em sua profundidade, mas sabemos que ela também está lá.

Digamos que tenhamos um pequeno bote, e com este estejamos em alto mar. Norte, Sul, Leste, Oeste, para onde olhamos vemos ele, o oceano, extenso, azul, vasto, estendido até onde nosso olhar alcança. E lá no final, no horizonte, talvez vejamos o encontro do oceano com o Céu, com o pôr do sol ou com o nascer do mesmo. O encontro do oceano com o céu estrelado, com as nuvens, com a linha finita...que vai além...a perder de vista. Misterioso, belo e incapturável.

De muitas formas o oceano pode ser comparado com nosso Inconsciente. De certa forma podemos vê-lo, apreendê-lo por alguns instantes...e logo em seguida escapa. Ele esta e não, ao mesmo tempo. Ele é amplo e vai até onde nosso olhar pode ir...mas não conseguimos saber sua profundidade e elementos, aspectos, essência. Sabemos aponta-lo, descreve-lo, mas não o sabemos todo...ele nos escapa.

Nós em nosso botinho, somos a vontade e o bote, nosso EU. O EU que em nossa língua foi traduzida como EGO. O ego tem limites, tal como o bote. Ele tem fronteiras e tem direção. Nós, a vontade e os remos, os meios, seguimos para a direção. Para o alvo. Para o objetivo de nossa jornada. O bote pode seguir para norte, sul, leste ou oeste. Enquanto estiver protegido e acima da água, pode seguir. Talvez por alguns instantes o barqueiro pense que com o seu botinho dominou o oceano. Sabe para onde quer ir. Torna o oceano apenas algo com o qual consegue navegar e alcançar seus meios e objetivos. Se pensa, maior que o oceano.

Mas o bote é feito para navegar sobre o oceano. O oceano é poderoso, avassalador e terrível em muitos aspectos. O Inconsciente permite que o Ego o navegue. Existe aqui uma hierarquia silenciosa, ou talvez nem tanto...o Inconsciente, vasto e amplo, veio primeiro, e permite que o EGO possa explorar e navegar, em sua superfície. Nem sempre é fácil. Há tempestades, mares revoltosos, perigos submersos. O barqueiro precisa ter maestria na condução, na utilização dos remos e capacidades de seu barquinho. Se for imprudente, arrogante, inseguro, descuidado ou demasiadamente frágil, será engolido pelo oceano. Será derrubado. Será envolvido, definitivamente. 

E o bote, o ego, é a nossa apresentação social para ir e vir. Nossa comunicação com o meio externo. Comunica-se com o dentro e com o fora. Parte do bote toca o oceano e outra parte permanece fora deste. Dentro e fora. Mundo interno e Mundo externo. Para seguir e se comunicar. Para ir do ponto A ao ponto B. Próximo e/ou distante. Nós, seres sociais, precisamos do bote. E o oceano, bem, talvez ele também precise do bote. Precisa se comunicar com o que há na superfície. E o bote navega na superfície. O bote pode comunicar-se com a superfície, sabendo da amplitude e profundidade do oceano.

Ou seja, o bote é pequeno e frágil, mas essencial. O navegador precisa aprender as leis náuticas e formas de apresentação do oceano. Saber ler as estrelas. Saber contar com outros marujos, barcos e embarcações. Manter contato com o meio externo, sem nunca esquecer da profundidade e amplitude do meio interno.

O bote tem permissão para navegar no oceano. E tal trará muita experiencia, emoções de diversas cores e formatos, conhecimentos e crescimento. Talvez o bote aprenda um pouco sobre o oceano, mas nunca o dominará. Nunca o terá por inteiro. Ele é apenas um bote. Pequeno e frágil. E, mesmo assim, ele tem permissão para navegar sobre o oceano. Com humildade e abertura.

O oceano é o que é. Amplo, imenso, avassalador. Tempestuoso por vezes, manso outras. Variável. Em mudança. Em movimento. Ele é vida. E sobre a vida, podemos navegar...sabendo que, quando nosso barquinho não puder mais navegar, o oceano continuará...

( Capa do album "The Endless River" da banda britânica Pink Floyd)

Ciclo de Palestras na Zona Norte/SP




Palestras com Entrada Franca na Zona Norte de São Paulo

Todo ano há uma sequência de palestras com entrada franca realizadas na Igreja Luterana - Cantareira em uma parceria entre o Pastor Ernani Röpke e o psicólogo René Schubert.  

Os dias escolhidos são de quarta-feira, e o início das palestras é sempre as 20 horas. As palestras tem duração em média de uma hora e meia. Seguem as temáticas e datas selecionadas para este ano:

27.03.2019 - 20 hrs - Transtornos Psíquicos que afetam nossa sociedade contemporânea

29.05.2019 - 20 hrs - Sonhos: reflexão a partir de filmes

14.08.2019 - 20 hrs - Raiva: expressão, impulso e administração da emoção

06.11.2019 - 20 hrs - Fases Maturacionais: Crescimento e Crises


Maiores Informações:

Ernani Röpke - Pastor - Tel. (11) 2203 - 0081
René Schubert - Psicólogo - schubert_rene@hotmail.com / (11) 2836-5022

Endereço: Lutherhaus -Paróquia Cantareira - Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - Rua Comendador Quirino Teixeira , 212 – Tremembé

As feridas emocionais profundas causada por abusos


Recentemente em artigo postado pelo site Psicologias do Brasil há o relato triste feito pela mãe de uma jovem que, em seu sofrimento psíquico de longa data, com sintomas intensos do que poderíamos chamar de ansiedade, depressão, desesperança, baixa auto-estima, desespero acaba por atentar contra a própria vida. 

Relatos como o desta mãe infelizmente não são incomuns. Pelo menos não na pratica clinica. Feridas emocionais causadas quando se é muito jovem são as mais difíceis de administrar e elaborar, pois ocorrem em um momento onde a maturidade emocional, neurológica, fisiológica, capacidade adaptativa, ainda estão em desenvolvimento e em transformação.

Há abusos físicos, verbais, morais, sexuais...como adultos muitas vezes ficamos impotentes e frágeis frente à agressão física, verbal cometida contra nossa vontade e consentimento por alguém de nosso convívio. Tal evento é muito pior quando se é jovem, quando se é criança. A inocência e fragilidade intensificam o fato e muitas vezes em nossa incompreensão, falta de vivência e conhecimento, medo e vergonha, culpa e ressentimento, acabamos por guardar isto profundamente em nosso corpo, nos machucando ainda mais, de tempos em tempos.

Um abuso pode causar um trauma, e este congelar e fragmentar séria e profundamente o desenvolvimento maturacional da criança. Tal trauma ocorre de forma rápida, intensa, profunda demais, para o ser que se torna vitima deste...não só no momento do evento, mas durante muito tempo depois, também.

Hoje há diversos dispositivos de escuta e de acolhimento para tais traumas e sofrimentos psíquicos, como a psicoterapia, o acompanhamento psiquiátrico, o aconselhamento e orientação familiar, espaços de acolhimento em instituições terapêuticas, sociais e religiosas. O trabalho costuma ser de longo prazo e é delicado e cuidadoso. Precisa ser feito no tempo e de forma suportável para àquele(a) que sofreu um trauma, abuso e/ou passou por situações traumáticas.

Se postará aqui na integra o relato deste caso feito na internet e também um vídeo que demonstra os efeitos e consequências devastadoras ao longo da vida de um abuso, trauma, ocorrido em uma fase muito precoce do desenvolvimento neuropsicosocial de jovens/crianças:



Não consegui evitar o suicídio da minha filha de 24 anos

"Ana Luísa era doce, segundo seus familiares. Estava prestes a se formar na faculdade de moda e sonhava em abrir o próprio negócio. Como muitas garotas de 24 anos, tinha planos de se casar – e já tinha um namorado.

Ana Luísa queria viver, mas não conseguia. Ela sentia dor, o coração pulava do peito e os desmaios eram frequentes.

Nas últimas semanas de vida, já não dormia. Evitava os remédios que ajudavam no sono porque, segundo ela, os pesadelos e as lembranças vinham à tona sempre que fechava os olhos.
A mãe, a produtora de eventos Ana Rosa Augusto, de 52 anos, afirma que tentava de tudo. Dormia com a filha, dava carinho, procurou especialistas e fazia questão de não deixá-la sozinha.

“Quando eu ia trabalhar, ela ia comigo. Se era dia de evento, a deixava com a avó. No último dia de vida de minha filha, pedi que ajudasse a avó a cuidar do meu sobrinho, de quem Ana Luísa era muito próxima. Ela foi. E não voltou mais”.

“Pouco antes de entregar o trabalho de conclusão de curso, Ana Luísa passou a desmaiar, ter crises fortíssimas de ansiedade e palpitação. Como ela era magrinha, nós víamos o coração dela saltar do peito. Tanto eu como o pai achamos que era ansiedade por causa dos trabalhos finais na faculdade, mas, como os sintomas eram físicos, decidimos levá-la a neurologistas e cardiologistas. Fez todos os exames, que não apontaram qualquer tipo de anormalidade. Voltamos a acreditar na ideia da ansiedade e procuramos um psiquiatra, que fez o mesmo diagnóstico.

A gente sabe que para uma terapia funcionar, é preciso sintonia entre o paciente e o terapeuta. Não foi o que aconteceu com a minha filha. Ele receitou alguns ansiolíticos e remédios para dormir, mas as medicações não deram conta da dor que ela sentia. Ela apresentou o TCC, se formou na faculdade, mas os sintomas continuaram. Então, procuramos psicólogos. Entendemos que havia algo acontecendo e que ela não queria nos contar, e, talvez, com a terapia, nossa filha conseguisse se abrir. Depois de um ano de buscas, Ana Luísa se identificou com um terapeuta. Seis meses antes do suicídio, ela contou o que tinha acontecido.

Minha filha foi abusada sexualmente aos dez anos de idade, na escola particular onde estudava, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ela revelou isso à psicóloga e pediu para que a especialista contasse a mim e ao pai dela. Foi quando descobri que a minha menina foi estuprada por seis meses por um garoto seis anos mais velho, no banheiro, nas aulas de Educação Física. Por alguns meses, ela relutava e chorava, pedia para não participar das aulas esportivas. Eu não entendia. Mesmo sem saber o que estava acontecendo, consegui um atestado médico que a liberou. As férias chegaram e, no ano seguinte, o menino não estava mais na escola. Ana Luísa voltou à Educação Física sem pestanejar.

A partir de então, só ia à escola com uniforme masculino, roupas largas, que não mostravam o corpo.

Um dia, ela me disse que um coleguinha do colégio comentou que meninos não gostam de meninas que usam roupas largas. Por isso, ela passou a usar. Não queria ser notada. Com o tempo, vieram roupas pretas, os cabelos descoloridos, uma tentativa de apagar a imagem daquela garotinha de dez anos. Ana Luísa passou a vida fugindo de si mesma. O gatilho para que a lembrança viesse à tona foi o namoro. Ela conheceu um rapaz, que cuidava e se preocupava muito com ela, e passou a lembrar dos momentos sombrios.

Em filmes, quando havia cenas de abuso, ela chorava e gritava. Se automutilava, cortava braços e pernas. Fazia cortes tão profundos que precisava levar pontos, na maioria das vezes. Fazia isso para aliviar a dor que sentia. Nas duas últimas semanas de vida, minha filha leu notícias sobre um estuprador que havia atacado mulheres em São Paulo e não conseguiu mais dormir. Coloquei ela na minha cama, deitávamos abraçadas, mas não adiantava. Quando dei por mim, ela não estava mais tomando os remédios para dormir. E me disse que, quando pegava no sono, era atormentada por pesadelos. Por isso, preferia esperar a dor passar acordada. Mas não passava.

Ana Luísa tentou se suicidar duas vezes, ingerindo doses maiores das medicações. Eu e o pai dela começamos a esconder todos. A cada dia, precisávamos escolher um esconderijo diferente.

Eu não a deixava sozinha em hipótese alguma. Quando tinha crise, a levava comigo para o trabalho. Conversávamos sobre tudo, inclusive sobre a sua vontade de morrer. Eu tentava de tudo. No dia em que tirou a própria vida, há três anos, eu disse que ela precisava ajudar minha mãe a cuidar do meu sobrinho, que tinha três anos à época. Ele e minha filha eram muito apegados. Levei ela até a casa da avó, esperei que entrasse no condomínio e segui para o evento que estava organizando. Uma hora depois, meu marido me ligou e disse que ela não havia chegado. Eu rebati dizendo que era impossível, eu a havia deixado lá dentro.

Ela não estava. Para a psicóloga, deixou uma mensagem de agradecimento, similar a que deixou para mim, para o pai e para o namorado. Ela dizia que não aguentava mais e ressaltava que a culpa não era nossa, mas que não conseguia viver com as lembranças. Se despedia e dizia que nos amava muito. Quando soube do sumiço dela, já imaginei o que tinha acontecido. Ao analisar as câmeras de segurança do prédio, vi que ela entrou, sentou no sofá do hall de entrada e ficou parada por um tempo. Pegou o celular, mandou as mensagens, e saiu. Foi a última vez que vi minha filha.

Sempre que Ana Luísa e eu falávamos sobre suicídio, ela explicava que não devemos divulgar a forma como as pessoas tiraram a própria vida. “Pode estimular outras pessoas a fazerem o mesmo”, ela dizia. Eu nunca contei o que houve, apesar de a notícia ter se espalhado. Hoje, faço parte de grupos que visam a prevenção do suicídio e tento ajudar garotas que, como a minha filha, têm uma dor para ser cuidada. Pelo Facebook, muita gente me procura para pedir ajuda – tanto pais como jovens. Transformei o luto em luta e só estou viva porque posso mudar outras vidas.

Desesperada, liguei para um amigo policial, descrevi a roupa que minha filha estava usando naquele dia. Eu imaginava onde ela estava e como ela tinha feito, não me pergunte porquê. Ele pediu para um colega averiguar, e esse agente a encontrou. Apesar de todas as certezas, corri para a minha casa. Pensei: “E se ela estiver em casa, no quarto dela, encolhidinha na cama?”. Não estava.

Não sinto culpa, eu fiz tudo o que pude. Conversei com ela e cuidei em todos os momentos. Ela nunca nos culpou. Eu sempre estive ao lado dela, éramos muito cúmplices. Onde eu ia, ela ia comigo. Se ela tinha trabalhos, eu a acompanhava. Ela sempre dizia: “Mamãe, quero ir com você”. Me chamava de “mamãe”. Hoje, quando converso com meninas que foram vítimas de abuso, descubro que o agressor sabe escolher a vítima certa, aquela que não vai abrir a boca. O abusador da minha filha dizia que, se ela dissesse algo, mataria a mim e ao pai dela. Ela aguentou tudo isso sozinha.

Aos pais, só peço uma coisa. Acreditem nos seus filhos e passem a sensação de que eles podem confiar em vocês. Quando nós descobrimos o que tinha acontecido com a Ana Luísa, a depressão já estava no grau máximo. Se ela tivesse compartilhado isso com a gente antes, talvez tivéssemos conseguido salvar a vida dela.

Hoje, sinto saudade. É um sentimento que cresce a cada dia que passa. A dor de perder um filho não passa nunca.”

A fúria de uma criança: caso clinico infantil, avaliação e tratamento:





Fontes:

“Não consegui evitar o suicídio da minha filha de 24 anos” - https://www.psicologiasdobrasil.com.br/nao-consegui-evitar-o-suicidio-da-minha-filha-de-24-anos
A fúria de uma criança: caso clinico infantil, avaliação e tratamento - https://www.youtube.com/watch?v=f-WYxoXlmgI

Para os casos que envolvem risco de vida, auto agressão, pensamentos depressivos, serviços como o Centro de Valorização à Vida, o CVV, esta disponível à todo(a)s que dele precisarem - https://www.cvv.org.br/

A Sombra




Segundo o psicanalista Carl Gustav Jung: "Aquilo que negas, te submete - aquilo que aceitas, te transforma". O criador da psicologia analítica define Sombra como "aquilo que uma pessoa não tem desejo de ser". Em outra descrição: Aquilo que é invisível, rechaçado, agressivo, negado, odiado, repudiado, vingativo, primitivo, pavoroso. 

A Sombra, quando negada, ou ignorada, muitas vezes atua como processo de auto-sabotagem psíquica, afetando direta e indiretamente, escolhas, comportamentos, falas, posturas.

O autor Deepak Chopra aponta que o Efeito sombra pode ser entendido como tudo aquilo que não aceitamos de negativo em nós mesmos e que não queremos mostrar aos outros. É aquilo que nos incomoda, mas escondemos, ignoramos, porque temos medo de lidar com eles. Podem ser sentimentos, emoções, eventos traumáticos e traumas adquiridos desde a nossa infância.

Desta maneira a Sombra é tudo aquilo que não queremos ser, mas somos. É aquele sentimento escondido de todos, e por ser tão escondido de todos, acabamos por visualiza-lo nos outros e então apontamos e julgamos o outro. Projetamos no outro, por não reconhece-lo em nós mesmos. E neste momento diversas emoções entram em ação: medo, raiva, culpa, rancor, mágoa, entre outros.

A sombra não reconhecida em nós manifesta-se na forma de comportamentos, crenças e ações que em seus efeitos a curto e longo prazo, são prejudiciais ou nos mantem em um ciclo repetitivo e desgastante emocionalmente.

Carl Gustav Jung relaciona como correlativos à sombra o oculto, obscuro, o inconsciente, o misterioso. Tanto o conceito de Luz como o da Sombra fazem parte de nós. Fazem parte de nossa psique, ou seja, de nosso aparelho psíquico, de nossa personalidade e mundo interno. Todo ser humano possui aspectos de luz e de sombra. O comportamento de auto sabotagem é assim, um fator comum a todos os seres humanos, sem exceção.

O aprendizado que temos que obter em relação à sombra é como integra-la à nossa vida. Como tomar consciência desta em nosso dia a dia e, a partir desta percepção e reconhecimento, utiliza-la a nosso favor e não contra. Aprender com esta e integra-la em nossa consciência e vida cotidiana.



Fontes: 
O Efeito sombra - Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson
O Ciclo da Auto-sabotagem - Stanley Rosner e Patricia Hermes
Sobre sentimentos e a sombra - Carl Gustav Jung
Youtube – Canal Janela da Alma - Psicanálise