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Reflexões sobre a terapia assistida por Animais




Terapia Assistida por Animais – Pet terapia – Zoo terapia –  Cinoterapia - por definição a pet terapia ou terapia assistida por animais é uma técnica terapêutica que conta com os animais como apoio para o tratamento de pessoas portadoras de deficiência física, mental, problemas de saúde física e psíquica, estimulando tanto o aspecto físico quanto cognitivo - emocional, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas e incentivar a recuperação, reabilitação e reintegração socioemocional.

Hoje temos diversas iniciativas que utilizam cães, gatos, pássaros, cavalos, entre outros em instituições educacionais, de saúde, infantis e asilares por seus efeitos benéfico no público atendido. Sabemos que os animais de estimação podem contribuir para a saúde mental de seres humanos e há diversas pesquisas apontando como tratamentos para ansiedade e depressão podem ser potencializados pelo contato e troca com animais.


No Brasil, nas décadas de 50 e 60, a psiquiatra junguiana Nise da Silveira utilizou animais na terapia de pacientes internos. Ela percebeu a facilidade com que esquizofrênicos se vinculavam a cães. Em seu trabalho pioneiro com essas pessoas, a médica desenvolveu o conceito de afeto catalisado. Ela parte da idéia de que é importante que o paciente conte com a presença não invasiva de um co-terapeuta que permaneça com o doente, funcionando como ponto de apoio seguro a partir do qual o doente possa se organizar psiquicamente.

Após ilustrar exemplos de co-terapeutas humanos, Silveira afirma que animais são “excelentes catalisadores”. Segundo ela, eles “reúnem qualidades que os fazem muito aptos a tornar-se ponto de referência estável no mundo externo”, facilitando a retomada de contato com a realidade.


Sigmund Freud, neurologista e pai da psicanálise, disse que as razões que nos levam a amar um animal com tanta intensidade são compreensíveis quando vemos que o amor delas é incondicional. A relação que temos com nossos animais é libertada dos conflitos insuportáveis ​​da cultura. Freud disse: “os cães não têm a personalidade dividida, nem a crueldade do homem civilizado nem vingança deste último contra as restrições que a sociedade impõe.” Ele aponta que um cachorro contém a beleza de uma existência completa. E que um sentimento de afinidade íntima, de solidariedade indiscutível, existe claramente.

“As emoções simples e diretas de um cachorro, quando ele abana o rabo para expressar sua alegria ou latidos para mostrar seu descontentamento, são muito mais agradáveis. Os cães nos lembram dos heróis da história e talvez seja por isso que eles frequentemente recebem seus nomes.“ Sigmund Freud


Alguns filmes para refletir sobre esta temática: “Dança com os lobos”, “Equus”, “O Corcel Negro”, “Spirit – o corcel indomável”, “Os 101 Dálmatas”, “Flipper”, “Melhor é Impossível”, “Marley e Eu” , “Cavalo de Guerra”, “Sempre ao seu lado”, “As Aventuras do Dr. Dolittle”, “Como cães e gatos”,  “Mogli”, “Madagascar”, “Meu Amigo Enzo”, “The secret life of Pets”, “Irmão Urso”, entre outros.

Para aprofundar a pesquisa:

A Equoterapia como alternativa terapêutica para crianças 'agitadas' - René Schubert. Revista Equoterapia, ANDE BRASIL, N º 12, Dezembro 2005

Equoterapia e o lúdico na Reabilitação (2010 e 2014) - René Schubert. Disponível pelo link: http://reneschubert.blogspot.com/2014/01/a-equoterapia-e-o-ludico-na-reabilitacao.html

Cães sabem quando seus donos estão chegando - Rupert Sheldrake. Síntese deste livro pelo link: http://aconstelacaofamiliar.blogspot.com/2012/04/leitura-rupert-sheldrake.html

Hippotherapy and playfulness in Child Rehabilitation - René Schubert - Journal of MAR Neurology, Volume 4, Issue 3, UK - https://www.medicalandresearch.com/assets/articles/documents/DOCUMENT_20220303154835.pdf

Tratado de medicina veterinária sistêmica – Vol.2 - Carla Abreu Soares & Colaboradores. UniCEUB, Brasília, 2022

Relatos de casos: terapia assistida por animais - Conferencia apresentada por René Schubert no 6º Congresso Brasileiro de Psicologia: Ciência e Profissão em 11 a 15 de novembro de 2022, São Paulo

Acompanhamento Terapêutico (AT): uma introdução

Recentemente apresentei junto a CRP SP para a II Mostra Virtual de Práticas da Psicologia, o trabalho: "Acompanhamento Terapêutico em tempos de Distanciamento Social". Por conta do interesse dos colegas na temática republico aqui parte do texto escrito em 2003 sobre a temática.


“A vida não é algo a ser entendido. Viver ultrapassa todo entendimento”

Clarice Lispector



O Acompanhamento Terapêutico ( A.T. ) é uma nova opção de tratamento à pacientes com grave sofrimento psíquico. É um recurso de reinclusão social cada vez mais utilizado no campo da saúde mental. Como clínica de articulação, objetiva o alívio do sofrimento por meio do contorno dado em atividades sociais, culturais assim como a interrelação e a reinserção na realidade. Seu “setting” se dá no espaço público, fora das instituições convencionais de tratamento.

Como o nome mesmo refere, o terapeuta acompanha seu cliente. Esse acompanhamento é tanto em seu ambiente familiar, de trabalho como em atividades ao ar livre, como passeios, atividades esportivas, culturais e outras.

O A.T. participa da reconstrução simbólica do sujeito após o desencadeamento da crise ou de um momento de intensa necessidade, por envolver certo sofrimento psíquico que paralisa ou prejudica a pessoa em suas atividades diárias. 

Estando inserido em uma equipe de trabalho multiprofissional (psiquiatra, psicanalista, terapeuta familiar, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, entre outros), participa da construção de projetos terapêuticos singulares para cada cliente. Geralmente o acompanhamento terapêutico é indicado pelo médico, profissional da saúde que esta acompanhando o caso, ou pelo próprio psicólogo que na entrevista inicial com o cliente avalia qual a melhor abordagem terapêutica para o caso. Sendo verificada a necessidade de acompanhamento terapêutico, o profissional elabora, juntamente com o cliente, um projeto terapêutico. Neste projeto serão apontadas e planejadas as questões a serem trabalhadas e as metas a serem alcançadas. Tal projeto será constantemente revisto e discutido com o cliente.

O A.T. demonstra ser um  recurso de reinclusão social cada vez mais utilizado no campo da saúde mental. Como clínica de articulação, visa o alívio do sofrimento por meio  do contorno dado em atividades sociais, culturais assim como a interrelação e a reinserção na realidade socio-cultural do cliente. 

Seu campo de trabalho é o próprio espaço público, fora das instituições convencionais de tratamento ou consultórios. 

Tal modalidade tem seu surgimento em aproximadamente 1971 a partir de sua implantação na Argentina – surgiu como alternativa de tratamento para pacientes crônicos que não respondiam ao tratamento convencional (baseado na internação com tempo indeterminado e grupos terapêuticos).

Juntamente com a Reforma Psiquiátrica  e a assim chamada Luta Antimanicomial o A.T. apresentou-se como uma possibilidade de efetivar algumas proposições destas últimas. Remetendo à afirmação de Ghertman (1997, p.233), “dentro da cena da saúde mental moderna o AT já aparece como peça fundamental na ajuda à desinstitucionalização de pacientes crônicos”.

A desinstitucionalização é algo fundamental para o tratamento contemporâneo, pois nesta busca-se estimular a autonomia e desenvolvimento do paciente, que é ativo em seu processo terapêutico, e não sua acomodação e dependência frente ao tratamento.

Tendo também em vista a LEI Nº 10.216, de 6 de abril de 2001, sobre as reformulações na política da Saúde Mental, assinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso  no  Art. 4º, parágrafo um temos “ O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do paciente em seu meio.”            

Assim como o Art. 5º : “ O paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize situação de grave dependência institucional, decorrente de seu quadro clínico ou de ausência de suporte social, será objeto de política específica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida…”           

Esta lei toca no trabalho de A.T. quando frisa a importância de se trabalhar a reabilitação psicossocial de pacientes institucionalizados em clinicas e hospitais psiquiátricos. A reinclusão social é o que objetiva o trabalho deste singular promotor da saúde mental.           

Não que o trabalho deste profissional esteja vinculado exclusivamente à casos psiquiátricos – mas foi neste meio que teve sua origem. Hoje o A.T. desenvolve projetos com os mais diversos quadros clínicos, citando alguns: quadros depressivos, quadros fóbicos, dependentes químicos, distúrbios alimentares, entre muitos outros.          

As nomenclaturas que antecederam o A.T. foram muitas: “auxiliar psiquiátrico, atendente grude, amigo qualificado” e outras. A mudança na nomenclatura demostra a transformação da postura e atuação deste profissional. Deixou de ser mero acompanhante ou babá, para tornar-se um profissional que dará contornos e continência frente ao sofrimento psíquico de seu cliente por meio de intervenções, falas e gestos no espaço aberto da cidade.           

Esta modalidade de tratamento encontra-se hoje principalmente em instituições de saúde mental e consultórios psicológicos, nos quais tal trabalho destaca-se pelas contribuições feitas tanto nas discussões clinicas de caso, como no próprio projeto de reabilitação social do atendido.            

 Ainda é difícil encontrar A.T.s que desenvolvam tal trabalho independentemente de uma equipe clinica, até porque sua inserção em uma equipe multiprofissional é fundamental, não só para o profissional, mas principalmente para o cliente. Como nos expõe Hermann (2001, pag.24) “É de fundamental importância que o trabalho em equipe se estabeleça e que, a heterogeneidade e cooperação dos profissionais envolvidos no caso sejam mantidas, para que o paciente perceba a existência de uma rede de profissionais articulados e com boa capacidade de contenção diante dos fenômenos psicóticos.”            

Coloca-se agora uma pergunta frequente: o A.T. é uma espécie de babá?          

Definitivamente não. Dependendo do caso acompanhado pode-se até ter esta ideia, quando se olha este trabalho com olhos leigos e não se sabe o que está envolvido no acompanhamento. No caso de uma estrutura psicótica, o A.T. fará sim um trabalho de tradução da realidade, o que muitas vezes pode lembrar o cuidadoso trabalho de uma babá. Mas a escuta e o cuidado nos manejos são totalmente diversos. O objetivo é tornar o cliente ativo frente suas dificuldades e sofrimento para superá-los. O trabalho do A.T. leva em conta não permitir que o cliente fique dependente das soluções e formulações criadas pelo terapeuta, mas que desenvolva suas próprias. É preciso provocar o movimento de busca no cliente. Leva-lo às suas formulações, reflexões e invenções criativas em seu meio. Também saber pontuá-las, valorizando-as assim quando ocorrem, por isso a importância da escuta de um profissional clinico. É importante a atenção do acompanhante para não  transformar-se em modelo. Ele possivelmente será eleito pelo cliente como tal, mas não pode se basear só nisto para atuar clinicamente.           

O projeto terapêutico antes elaborado com o terapeuta, será depois transformado em descobertas pessoais e linha guia para a vida do sujeito, desta maneira reforça-se a afirmação clinica feita por Jacques Lacan: “ O diagnóstico no início, é do analista, ao final, é do analisando”.           

Agora remetendo à outra questão frequente: O A.T. ocorre apenas com pacientes psicóticos, psiquiátricos? Ele é possível com paciente neuróticos ?         

O A.T. não se restringe apenas a pacientes psicóticos. A diferença está principalmente no Projeto Terapêutico. Com um paciente psicótico o trabalho é a longo prazo e é na maioria das vezes uma construção visando a reabilitação e reinclusão psicossocial – o trabalho em equipe multiprofissional é importante.  No caso de pacientes neuróticos o trabalho é geralmente a curto prazo e a questão abordada é mais focal. Claro,  é importante fazer a ressalva de que isto varia de caso para caso. Na maioria das vezes o A.T. trabalhará fobias sociais, toxicomanias, distúrbios e transtornos em geral que impliquem um trabalho mais voltado às atividades diárias, de reinserção e reinclusão socio-cultural, para o restabelecimento e tratamento pleno do paciente.          

Ainda haveria muito a se abordar sobre esta nova modalidade de tratamento, mas o presente trabalho não pretende estender-se muito, mas apenas servir de breve introdução.            

Encerra-se  esta exposição citando um trecho do livro Dom Quixote, de Miguel de Cervantes: “A liberdade, Sancho, é um dos mais preciosos dons que aos homens deram os céus. A ela, não se podem igualar os tesouros que encerra a terra e o mar encobre; pela liberdade, assim como pela honra, pode-se e deve-se aventurar a vida. E, pelo contrario, o cativeiro é o maior mal que pode advir aos homens (..) Não existe na terra, conforme o meu parecer, contentamento que se iguale a alcançar a liberdade perdida.”




Referência Bibliográfica

CERVANTES, M. – Dom Quixote : o cavaleiro da triste figura. Adaptação em português de José Angeli. Editora Scipione, 18 ª edição, São Paulo, s.d.

GHERTMAN, A.  – A teorização no acompanhamento terapêutico: impasse ou ruptura? (1997). In: EQUIPE DE ATS DE A CASA (org.). Crise e cidade: acompanhamento terapêutico. São Paulo: Educ, p.233-240.

HERMANN, M.C. – Psiquiatria e psicopatologia: Acompanhamento Terapêutico. (2001) In: Revista Insight N º 116, São Paulo, Pag. 24 à 29

MAUER, S.K. e RESNIZKY, S. – Acompanhantes terapêuticos e pacientes psicóticos. (1987) Editora Papirus, Campinas, SP 

SCHUBERT, R. – Tecendo o Imprevisível (2003) – apresentado na “I Jornada da Psicanálise Lacaniana” em 13 de dezembro de 2003. Sede do Instituto da Psicanálise Lacaniana (IPLA) sob coordenação de Margareth Ferraz e Jorge Forbes, São Paulo


Artigos digitalizados:

Ambiente social como espaço terapêutico - http://mostra.cfp.org.br/ambiente-social-como-espaco-terapeutico/

Tipos de Terapias e Linhas terapêuticas





Artigo publicado na Revista Vida Simples

Já ouviu falar do livro Estudos Sobre a Histeria? Ele é um dos marcos da psicanálise, o método de psicoterapia desenvolvido pelo neurologista Sigmund Freud (1856 - 1939). A obra foi escrita em parceria com o médico Joseph Breuer e chegou às livrarias em 1895. Muitos anos e divãs depois, várias pessoas ainda buscam a ajuda dos profissionais que seguem as ideias de Freud, os psicanalistas. Conceitos como o inconsciente e os desejos, dos quais a gente nem se dá conta e que dão as caras nos sonhos e lapsos, tornaram-se parte das conversas do dia a dia. Mas quando, afinal, devemos buscar esse tipo de auxílio?

"Sempre que percebemos que não há como dar conta de questões que nos afligem", diz a analista junguiana Aurea Afonso Caetano, de São Paulo. Nesse pacote, entram problemas afetivos, insatisfação com o trabalho e falta de desejo pela vida, enfim, tudo o que gera sofrimento psíquico. Ailton Bedani, psicoterapeuta de orientação reichiana na capital paulista, complementa: "O indivíduo também pode procurar uma psicoterapia porque quer aprofundar o conhecimento a respeito de si próprio".

No quesito escolha do psicoterapeuta, a indicação de outros profissionais de saúde ou de amigos é sempre válida. "A pessoa deve perguntar ao próprio terapeuta sobre as suas credenciais, como área de formação, cursos e tempo de experiência", diz a terapeuta cognitiva Ana Maria Serra, de São Paulo. Outra sugestão dela: consulte sites e leia publicações de sua autoria. De acordo com Aurea Caetano, é importante que a dupla especialista/ paciente esteja em sintonia para que o processo possa acontecer. Por fim, vêm as linhas de psicoterapia. vida simples traz seis exemplos para você optar por aquela que mais lhe apetece. Boa leitura!

Psicanálise - Para se libertar das memórias que o aprisionam

"O método psicanalítico poderia ser descrito da seguinte forma:
o paciente conta sua história e o analista ouve o que está sendo dito", explica a psicanalista Magda Kouri, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Na terapia formulada por Sigmund Freud, o especialista escuta e capta esquecimentos e atos falhos na fala de quem está sendo analisado, apontando questões que esse indivíduo provavelmente nunca se fez. "Realizamos uma espécie de montagem de nós mesmos e nem sempre nos damos conta de que não somos só aquilo. A análise pode criar condições para nos libertarmos das memórias que nos aprisionam." O famoso divã é usado como um recurso para o indivíduo não se distrair com a presença visível do profissional, permitindo que se concentre nos processos mentais e se sinta sem amarras para compartilhar vivências mais íntimas. O número de sessões, com duração de 45 a 50 minutos, é acordado.

Terapia breve - Para situações de emergência ou mais pontuais

O nome já entrega: é uma espécie de psicoterapia mais ligeira, calcada na psicanálise, com uma a 12 sessões, de 50 minutos cada. "O tempo curto refere-se à necessidade de lidar com uma situação emergencial ou ao fato de a queixa representar um problema delimitado", explica a psicóloga Angela Cristini Gebara, de Sorocaba, no interior paulista. Isso vai de depressão a perda de emprego passando por agruras no relacionamento amoroso. "Quando a busca é pelo autoconhecimento, indicamos a análise", conta ela. O psicanalista húngaro Sándor Ferenczi (1873 - 1933) é considerado seu precursor. A duração mais encurtada também está relacionada à nossa realidade econômica e social. Nem todo mundo tem condições financeiras, tempo ou motivação para prosseguir com as modalidades terapêuticas clássicas. O paciente fica face a face com o terapeuta, que é mais diretivo sobre a causa da angústia e evita livres associações prolongadas.

Psicoterapia analítica - Para entender o inconsciente coletivo

O psicólogo e psiquiatra suíço Carl Jung (1875 - 1961) foi discípulo de Freud. Assim como ele, se valeu bastante do trabalho com sonhos e fantasias. "Por meio da exploração do material simbólico inconsciente, pode-se ter acesso a camadas mais profundas da psique", explica a analista junguiana Aurea Afonso Caetano, de São Paulo. Terapeuta e paciente sentam-se frente a frente na sessão, geralmente semanal e com duração de 50 minutos. O terapeuta tem uma postura de acolhimento em relação ao que lhe é dito. Para os junguianos, corpo e mente são uma coisa só, ou seja, os sintomas físicos são tão importantes quanto os mentais. "Já dizia Shakespeare: `Somos feitos da mesma matéria que nossos sonhos'", cita Aurea. Sem falar na ideia de inconsciente coletivo, que é o repertório de experiências acumuladas pelos que nos precederam. "Trata-se da camada mais profunda do inconsciente comum a toda humanidade", define Aurea.

Psicodrama - Para resolver os conflitosem cena

Criada pelo médico romeno Jacob Levy Moreno (1889 - 1974), esse tipo deterapia se vale da dramatização de situações, que podem ser atuais, passadas ou futuras. "Isso possibilita a vivência de cenas conflitivas que, por meio da aplicação de técnicas psicodramáticas, propiciam ao indivíduo clarificar seus sentimentos, perceber suas atitudes frente ao outro, além dos sentimentos e ações dessa pessoa na relação", explica a psicóloga e psicodramaticista Maria Aparecida Fernandes Martin, de São Paulo. Sua colega Maria Regina Corrêa Lopes Vanin, do Instituto Bauruense de Psicoterapia, no interior paulista, acrescenta: "Uma dessas técnicas é a inversão de papéis, que permite que ele se coloque no lugar de outra pessoa e, com isso, consiga compreendê-la melhor". O psicodrama pode ser individual ou em grupo. As consultas costumam ser semanais - por volta de 50 minutos para as individuais e de até 2 horas para as coletivas.

Terapia cognitiva - Para dar cabo de falhas de interpretação

Segundo essa linha, fundada pelo psicólogo americano Aaron Beck, um transtorno emocional é, na realidade, cognitivo. Quem está passando por esse problema distorce as informações no momento de assimilá-las. Dessa forma, retém somente aspectos que confirmam suas interpretações tortas e resiste a romper com elas, ficando suscetível a altos perrengues. Um exemplo é o sujeito que se considera um profissional incompetente. "Se ele recebe um feedback negativo de seu gerente, pode lê-lo da seguinte forma: `Como eu sempre soube, sou incapaz em meu trabalho'", diz Ana Maria Serra, diretora do Instituto de Terapia Cognitiva, em São Paulo. "O tratamento, portanto, consiste em desenvolver no paciente a flexibilidade cognitiva para que ele possa processar a si, a eventos e pessoas com maior realismo, e, dessa forma, normalizar emoções e comportamentos", diz Ana. As sessões duram 55 minutos e são semanais.

Terapia de orientação reichiana - Para aprender a analisar os sinais do corpo

Ex-discípulo de freud, o médico e cientista natural Wilhelm Reich (1897-1957) procurou amenizar os efeitos de um fenômeno que denominou de couraça, uma fonte de vários sintomas. "Ela designava um enrijecimento crônico e automatizado que se fazia presente nos níveis psíquico e somático (corporal), limitando as potencialidades intelectuais, sexuais e criativas do ser humano", explica o psicoterapeuta de orientação reichiana Ailton Bedani, de São Paulo. Esse encouraçamento teria como uma de suas principais causas a organização política autoritária via subjugação ideológica e econômica. O teórico também deu grande valor aos sinais emitidos pelo corpo, identificando como certos traços de personalidade inflexíveis e automatizados se expressam por meio de rigidez ou baixo tônus muscular. "Quanto mais o indivíduo percebia as peculiaridades ou jeitão de suas defesas, mais chances havia de elas se afrouxarem", diz Bedani.


Artigo: A terapia certa para você
Um guia com várias correntes da psicoterapia para auxiliar quem procura cuidar da saúde mental ou se conhecer melhor. Publicado em 01/09/2013. Por Fábio de Oliveira
Link do artigo original: http://vidasimples.abril.com.br/temas/terapia-certa-voce-778597.shtml?utm_source=redesabril_vidasimples&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_vidasimples_site

Psicologia - Abordagens Terapêuticas



A partir da Psicologia e da Saúde Mental há várias possibilidades de tratamento que podem ser oferecidas para os mais diversos quadros clínicos de sofrimento psíquico. Esta variedade de tratamentos possibilita uma melhor adaptação com as exigências e necessidades de cada cliente em particular. 

Isto decorre também porque um simples sintoma (tristeza, crise relacional, apatia, agitação, agressividade, insegurança, medo) geralmente faz parte de um quadro clínico complexo e, ou maior (depressão; distúrbios escolares, de comportamento, alimentares; transtornos invasivos, de afeto; psicoses; fobias, entre outros). Tendo conhecimento disto, o psicólogo poderá oferecer a opção que trará pontual e consistente melhora no quadro clínico apresentado pelo cliente. O foco é o restabelecimento, qualidade de vida e o aprendizado a partir da crise que acomete a pessoa em seu trabalho, família, no relacionamento de casal, com amigos, no dia a dia.

Dentre as abordagens clínicas possíveis, destaco aqui aquelas que comumente utilizo em consultório:


Psicoterapia Individual – É conduzida por um profissional formado em psicologia e registrado no Conselho Regional de Psicologia (CRP).

É um espaço especializado no atendimento psicoterápico, que trata dos aspectos psíquicos singulares do indivíduo. É o trabalho dos afetos, emoções, padrões e pensamentos do indivíduo que o levam a ter conseqüências negativas ou sofrimento em seu dia a dia.

Com base teórica psicanalítica, muitas temáticas e questões que o individuo traz às sessões psicoterapêuticas individuais podem ser refletidas, problematizadas, desconstruídas e reconstruídas, visando uma melhor adaptação e interação com o meio social, profissional e cultural.

A psicoterapia pode ser buscada individualmente pelo cliente, indicada por profissionais de saúde (Médicos, Fonoaudiólogos, Fisioterapeutas, etc) ou até ser indicada por pessoas próximas ao circulo de amizade ou profissional do cliente.


Acompanhamento Psiquiátrico – é da alçada do médico psiquiatra ( formado em medicina, com especialização em psiquiatria e registrado no conselho regional de medicina - CRM) que inicialmente fará uma avaliação diagnóstica do quadro e da queixa trazida pelo cliente e irá acompanhar clinicamente este mesmo, verificando a necessidade de prescrição medicamentosa psicotrópica ou de outras terapêuticas (esta questão varia de caso a caso).


Psicodiagnóstico – por meio de testagem psicométrica (testes e escalas psicológicas de personalidade, avaliação cognitiva/ forense/ organizacional, neuropsicológicos, psicopedagógicos e de orientação vocacional), o profissional psicólogo pode aferir uma hipótese diagnóstica sobre o quadro clínico apresentado pelo cliente. Tal diagnóstico é posteriormente analisado e debatido com o psiquiatra e/ou demais profissionais que acompanham o quadro em questão, auxiliando no projeto terapêutico e condução medicamentosa adotada para o tratamento do quadro clínico, se necessário.


Psicoterapia Infantil – a partir de anterior avaliação psicodiagnóstica para verificar o quadro clínico apresentado pela criança e percebendo-se a necessidade de acompanhamento psicológico, a criança passa a ir semanalmente ao consultório para sessões de psicoterapia infantil. O trabalho com a criança é feito de forma lúdica, utilizando brinquedos, jogos de estratégia e educativos, materiais de pintura e desenho, artesanato e colagem, filmes e joguinhos no computador, entre outros. Pelo lúdico, ou seja, pela linguagem do brincar infantil, o psicólogo trabalhará temas importantes para o desenvolvimento e amadurecimento da criança, como seus medos, suas impressões afetivas e opiniões, seu caráter, seu comportamento, seu relacionamento com a família, amizades, outros adultos.

A psicoterapia infantil geralmente conta com a orientação familiar, na qual o psicólogo compartilha e debate com a família os passos que tem seguido em seu trabalho com a criança e levanta maiores dados clínicos para o desenvolvimento pontual do tratamento. Quando a criança apresenta um quadro clínico é importante que a família participe ativamente do tratamento, melhorando e potencializando desta forma os resultados positivos alcançados.


Psicoterapia Familiar – é uma alternativa terapêutica que inclui todos os membros ou os principais membros do sistema familiar do cliente. O trabalho terapêutico especializado, tem como objetivo orientar, acolher e fortalecer as famílias que se deparam com questões conflitantes internas ao sistema familiar.


Acompanhamento Terapêutico (A.T.) – é um trabalho diferenciado em que o psicólogo acompanha o paciente nas mais diversas tarefas e atividades externas.

O A.T. é uma opção de tratamento à pacientes com grave sofrimento psíquico. É um recurso de reinclusão social cada vez mais utilizado no campo da saúde mental. Como clínica de articulação, objetiva o alívio do sofrimento por meio do contorno dado em atividades sociais, culturais, assim como a interrelação e a reinserção na realidade. Seu “setting” se dá no espaço público, fora das instituições convencionais de tratamento. O A.T. participa da reconstrução simbólica do sujeito após o desencadeamento da crise e, inserido numa equipe de trabalho multiprofissional (Psiquiatra, Psicanalista, Terapeuta Ocupacional, Personal Trainer entre outros), participa da construção de projetos terapêuticos singulares para cada paciente.


Atividades Terapêuticas de Grupo (Terapia em grupo ou Grupos Operativos) – Uma alternativa de tratamento que utiliza a formação de grupos interessados de clientes coordenados por um ou mais psicoterapeutas que conduzirão a dinâmica e temática do grupo como um todo.

Possibilitam a formação de laço social e retiram o paciente de seu isolamento e embotamento afetivo, possibilitando uma vida mais ativa.

Os grupos, voltados para todos os tipos de patologias ou dificuldades psíquicas, trabalham a interação social, a reflexão a partir do relato do outro, a empatia e a autoestima.

Tais grupos são reunidos no espaço do consultório ou fora deste, tendo duração de uma a duas horas.

A experiência com atividades externas, como o resgate das relações interpessoais, mostra-se cada vez mais eficaz, abreviando o tempo de tratamento e o sofrimento psíquico típico de quadros psiquiátricos.


Para maiores informações e tratamento: Consultorio de Psicologia - psicólogo e psicanalista René Schubert - Contato: (11) 2836 5022 / rene.schubert@gmail.com

Atendimentos na Zona Norte de São Paulo e na região da Vila Mariana