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Terapia...um encontrar-se consigo

 A terapia traz instrumentos, recursos, formas de lidar com conflitos, situações e pessoas, que o cliente não sabia antes, mesmo tendo disponíveis...é um despertar para si mesmo(a)!




Reflexão sobre a atuação do psicólogo

 


"Por que a terapia não faz parte do programa escolar?"

A resposta do ator Selton Mello:

"Ao psicólogo não é dado o martelo dos juízes, as prerrogativas dos promotores, nem o bisturi dos cirurgiões, somos pequenos clínicos da alma, engenheiros de manutenção da psique, pequenos o bastante para não sermos protagonistas nem julgadores da vida alheia. Somos guardiões das maiores capacidades humanas, muitas vezes escondidas por transtornos dos mais diversos. Nosso trabalho é de longo prazo.Ser psicólogo não é um status profissional, é uma constante descoberta de si mesmo e do outro, de tantos outros, não é um lugar ao qual chegamos, mas um caminho pelo qual trilhamos, de estudos e descobertas constantes. É poder visitar diariamente universos diferentes, maravilhando-se sempre com a novidade das infinitas possibilidades humanas. Ser psicólogo não é passar o dia ouvindo problemas, mas sim presenciar o desbravamento de caminhos inimagináveis e poder contemplar o sorriso depois das lágrimas, é vislumbrar a mais verdadeira e honesta expressão da pessoa humana em busca de sentido, em busca de si mesma, é poder ver o sucesso da vida sobre a morte e apesar dela. Ser psicólogo é permanecer-se aberto ao novo e singular de cada pessoa, é ser capaz de ter muitas convicções e a principal delas é a de que sempre haverá algo de muito novo e de muito precioso a se aprender a cada encontro, a cada dia. Ser psicólogo é poder caminhar pelos vales escuros onde ninguém quer ir e convidar os que por lá se perderam a desfrutar a alegria dos dias ensolarados."


Selton Mello faz as vezes de psicoterapeuta na série da TV: Sessão de terapia

Terapia de Brainspotting

 "Se tomarmos o lema do Brainspotting: "onde você olha afeta o que você sente" - se você esta pensando algo e isto esta te incomodando se você olha para uma direção ou para o lado oposto, movendo os olhos, você literalmente sente diferente. como isto pode ser? Porque quando você olha para cá, você vai para um lugar especifico em seu cérebro, já quando você olha para lá, você vai em outro lugar de seu cérebro. pois o trauma ou outro estresse emocional esta inscrito em diferentes lugares do cérebro, quando você olha em direções diferentes as vezes algo é revelado e outras vezes não é revelado"  David Grand


O Brainspotting é uma terapêutica diferenciada que surgiu a partir da terapia de EMDR. Foi desenvolvida pelo psicoterapeuta Dr. David Grand. Usando o EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares) o Dr David Grand observou sinais físicos e oculares específicos quando as pessoas acessavam suas memórias traumáticas. Então ele integrou sua base psicanalítica, a integração corpo e mente do EMDR, dando um salto significativo para ajudar as pessoas resolverem questões de trauma. Como método terapeutico atua nas áreas profundas e primitivas do cérebro, onde identifica, processa e libera memórias de perturbação, sofrimento, dores emocionais e físicas.

O Brainspotting é focado em processar e liberar as fontes neuropsicológicas de dor, trauma, dissociação e uma variedade de outros sintomas desafiadores. 

O Brainspotting pode ser uma forma de diagnóstico e tratamento simultaneamente, e quando é intensificado com o som bilateral é ainda mais profundo, focado e capaz de dar contenção e recursos ao paciente.


"O Objetivo de toda Psicoterapia é levar o cliente da desregulação para regulação"



Procedimento: Como em um processo de psicoterapia, o paciente levanta questões e tematicas que deseja abordar durante a sessão. Ao encontrar um tema a ser trabalhado, entra em contato com a recordação do conteúdo perturbador, o que normalmente desperta sensações emocionais e físicas de desconforto, incomodo. O psicoterapeuta usa uma ponteira para encontrar o ponto cerebral (brainspot) que corresponde à ativação da memória, a qual é atemporal em relação ao inconsciente. O paciente acompanha os movimentos do psicoterapeuta com os olhos até que se encontre o ponto de ativação, que possibilita a mobilização, ou que se encontre o ponto que traz mais alívio, denominado “ponto de recurso”. Depois da localização e da escolha do ponto, o paciente fixa a atenção no ângulo visual determinado e observa os conteúdos emocionais, cognitivos ou físicos que emergem da consciência, pontos psicoemocionais adaptativos que foram criados e congelados, até que este seja reprocessado, elaborado e a ativação não cause mais nenhum desconforto ao paciente. Tudo isso com o suporte e acompanhamento do terapeuta.

O que o Brainspotting pode tratar?

  • Dificuldades e Bloqueios de aprendizagem; 
  • Crenças limitantes, comportamentos inadequados;
  • Performance e desempenho;
  • Desenvolvimento de potencialidades;
  • Disfunções sexuais;
  • Doenças degenerativas e autoimunes;
  • Dores crônicas;
  • Traumas físicos;
  • Fibromialgia;
  • Medos e inseguranças;
  • Dificuldades em dirigir;
  • Quadros depressivos,  ansiosos, impulsivos;
  • Quadros psicossomáticos;
  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático;
  • Sindrome de Burn Out;
  • Vícios e compulsões;
  • Expansão de criatividade, habilidades artísticas;
  • Entre outros, pois a técnica ainda esta sendo desenvolvida e pesquisada no mundo.







Algumas referencias para estudo e aprofundamento:

Descoberto em 2003, o método de tratamento para a saúde mental nasce da junção das palavras cérebro (brain) e ponto (spot) - https://www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2022/03/06/interna_bem_viver,1349398/brainspotting-conheca-a-terapia-usada-para-lidar-com-eventos-traumaticos.shtml

Brainspotting te ajuda a melhorar o desempenho profissional - https://www.minhavida.com.br/materias/materia-5664



Associação Brasileira de Brainspotting - https://brainspotting.org.br

Quando a largarta vira de ponta cabeça...

 


Vou iniciar esta reflexão com duas frases de conhecidos filósofos: 

"Antes de curar alguém, pergunta-lhe se está disposto a desistir das coisas que o fizeram adoecer"  Hipócrates  

“É parte da cura o desejo de ser curado” Sêneca.

Geralmente no início do ano temos diversos eventos e publicações de instituições e grupos de psicologia divulgando o Janeiro Branco. 

Desde 2014 o mês de Janeiro é representado pela cor Branca para debater, informar, conscientizar a população em relação à importância da saúde mental.  

A importância das emoções, das dores da alma, dos espaços de escuta e de tratamento psíquico. Não ao acaso o mês escolhido é Janeiro pois é o mês que dá início ao ano, mês de reflexão, reinicio, momento de colocar as metas em prática, validar estratégias que correram bem no ano anterior e rever aquelas que fracassaram. É um mês que causa em certas pessoas: agitação, receios, duvidas e inseguranças. Não por acaso sinais que acometem pessoas com transtorno de ansiedade, depressão e/ou pânico. Quadros que tem se destacado e agravado no passar dos anos, afetando a vida familiar, profissional, acadêmica, relacional e pessoal de muitas pessoas.

Ano passado em diversos momentos palestrei para jovens e adultos sobre tristeza, depressão, ansiedade, medos, suicídio, comportamentos de risco, agressividade e violência, bullying, quadros compulsivos, uso e abuso de drogas. Vivemos em Megalópole (Grande São Paulo), com diversas pressões, expectativas, desafios, dificuldades. A busca pelo nosso lugar, por realizarmo-nos “perfeitamente” em nosso ambiente acadêmico e profissional, termos sucesso, termos dinheiro, sermos bem vistos e quistos, termos muitos views e likes, sermos bons, sermos completos, bonito(a)s, perfeitos, desejado(a)s...pertencermos...sermos aceitos.

A questão é: nós nos vemos? 

Nós nos aceitamos a partir do que vemos? 

Nós nos escutamos? 

Nós, nos sentimos? 

Nós buscamos calibrar, realinhar, diferenciar, resignificar, elaborar o que vivemos, sentimos, convivemos?

A Organização Mundial da Saúde afirma que a saúde mental depende do bem-estar físico e social. A mesma também estabelece que somos seres Bio Psico Sociais e Espirituais. Ou seja uma multiplicidade de fatores, situações, agem e interagem conosco, o tempo todo. 

Somos todos interconectados e interdependentes. Gregários. Coletivos. Circulares. Repetitivos. Falhos. Contingentes. Mutáveis.

E nós? 

Agimos, ou reagimos? 

Observamos e respiramos conscientemente o que se passa à nossa volta ou engolimos o ar e tentamos suprimir, deletar ou alienarmo-nos do que nos cerca e também pulsa dentro de nós?

Sigmund Freud apontava: “Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro”.

É...é uma jornada e tanto para estarmos nesta cultura, caminharmos por este mundo. Teremos momentos de resiliência e força. E outros nos quais ficaremos frágeis. Vulneráveis. Nos sentiremos sozinhos, pequenos e incapazes. Nos sentiremos...humanos. 

É fundamental reconhecermos nossos pontos fracos, impossibilidades e incapacidade para aquela tarefa e/ou momento e, por vezes, pedir ajuda. Aceitar nossa limitação naquele momento. Permitir-se receber ajuda. A importância de reconhecer que algo não vai bem, que há um limite ai e que é necessária ajuda é um passo inicial e essencial para que se caminhe rumo a um reestabelecimento e transformação. E por vezes, as crises em nossa vida são oportunidades desta transformação ocorrer. Possibilidades para ir além do que sei e sou até então. E, posso fazer esta caminhada acompanhado.

Saúde mental é reconhecer que não somos completos...somos sim incompletos e, por vezes, precisaremos do apoio, da escuta, da troca com outro. Este outro pode ser um amigo, um familiar, um professor, um colega assim como também um terapeuta, um médico, um especialista em saúde mental. Um outro, disponível e ciente, tal como nós, de nossas fragilidades, dificuldades e  incompletude.


Texto originalmente escrito por René Schubert e publicado em sua coluna mensal para o Jornal Zen em Fevereiro de 2020. Revisto em Janeiro 2024

 

Analise Transacional - Roteiro de Vida


“O destino de cada ser humano é criado quando o que está dentro da sua cabeça encontra o que está fora da sua cabeça” Eric Berne


A Análise Transacional é um método psicológico criado no final da década de 1950 pelo psiquiatra Eric Berne. Informalmente conhecida como AT, estuda e analisa as trocas de estímulos e respostas, ou transações entre indivíduos (e entre as instancias internas que habitam os indivíduos - as instancias herdadas dos pais, a instancias infantis, as instancias desenvolvidas, aprendidas, transformadas, na vivencia e esfera adulta).




A análise transacional faz parte de um programa, de um processo de auto conhecimento, auto crescimento, de melhoria contínua, sendo que quanto mais você se conhece, mais habilidades de como utilizar sua comunicação terá e estará em constante desenvolvimento e adquirindo maior consciência sobre você, sua comunicação e suas inter relações.


O objetivo último da AT é levar o indivíduo a alcançar a Autonomia de Vida. Entende-se por Ser Autônomo o indivíduo que tem o controle de sua própria vida, aceita a responsabilidade de seus próprios sentimentos, pensamentos e comportamentos, além de abdicar-se de padrões inadequados para viver no aqui-e-agora. Tudo isso pode ser obtido através da recuperação de três capacidades: consciência, espontaneidade e intimidade. Essas três capacidades são inatas no ser humano, entretanto algumas vezes ficam limitadas devido a situações estressantes ou traumáticas que sofremos em nossa infância.



Nosso roteiro de vida: Contos de fadas, Mitos, Filmes, História em quadrinhos...

“Todos nós nascemos príncipes e princesas, mas às vezes nossa infância nos transforma em sapos“  Eric Berne


A partir de uma reflexão encontrada no site da Hellinger Schule:

"Em teatro, cinema e programas de televisão, o script é um texto com as instruções escritas que devem ser seguidas pelos atores para dar vida aos personagens ou apresentadores, servindo como roteiro para a peça teatral, o enredo do filme ou a apresentação do programa

No script estão todas as informações a respeito do que se vai apresentar, como atitudes, comportamento, descrições técnicas, utilização de cenários, etc., para que seja montado um espetáculo conforme o escritor e autor imaginou.

O mais conhecido autor de teatro, William Shakespeare, já utilizava os recursos em suas comédias e tragédias, embora não tão detalhadamente quanto os autores atuais. 

Criada pelo psiquiatra canadense Eric Berne, a Análise Transacional, oferece alternativas para que o indivíduo transforme o plano de vida criado na infância em algo espontâneo e autônomo. O Script ou Argumento de Vida consiste no plano inconsciente de vida que a pessoa cultiva na primeira infância, totalmente influenciada pelos pais e que direcionará suas ações nos processos mais determinantes da sua existência.

"A nossa vida segue um plano oculto desde o início. Por isto o chamo de nosso “script”.  Por tal razão podemos compara-la a um filme, que segue um roteiro em cada detalhe e determina como este jogo termina.

É desta maneira que a vida procede do início até o fim. A pergunta é:  Faz alguma diferença se conhecemos o nosso script de vida. Alguns já conhecem o seu script, mesmo antes de começarem a sua trajetória. Eles a seguem até que se realize.

Os scripts determinadores para a humanidade terminam de forma trágica. Por exemplo os scripts de Alexandre o Grande, Alexander, Júlio Cesar, Hannibal, ou Napoleão. Todos eles têm em comum que após o grande sucesso vem uma derrota total.

Quando um homem ainda jovem já sabia que ele ascenderia a um grande poder e perderia tudo ao final. Depois de ir à ópera “Rienzi” de Richard Wagner quatorze vezes na cidade de Linz, ele corria pela cidade gritando “Este é o meu destino!”. O qual, igual ao herói da ópera, o levou às mais elevadas alturas da sua carreira de vida e o deixou cair abandonado e finalmente morrer.

Outros sabiam do seu script? Somente ele o sabia, e ele acreditava ser invulnerável, até o seu fim predestinado. O seu nome era Hitler.

A pergunta é: De onde vem o nosso script de vida? Quais forças o determinam? Por quê já sabemos antes de seis anos de vida qual será o nosso script de vida? 

Mesmo se ele não é acessível para nos de forma consciente, o seguimos de forma imperturbável.

A pergunta é: Podemos trazer alguma mudança? Ou podemos ao menos nos posicionar para evitar o pior? Quem ou o quê pode ajudar?  
 
Esta revelação do script e esta interação precisam acontecer de forma “retirada” e humilde: sabendo de suas limitações, e de forma religiosa, dentro do sentido mais profundo de religioso, humilde. Aquilo que acontece confia em uma força eterna, muito além desta vida. Os insights e soluções nos são dados de presente desde um outro lugar. A forma como Bert Hellinger revela o script da vida é de uma sabedoria respeitosa e, mesmo assim, clara. E nos levam para uma dimensão infinita."



Seguem alguns vídeos para auxiliar na reflexão desta abordagem psicoterapêutica que tanto auxilia no auto conhecimento e desenvolvimento pessoal:


Análise Transacional - Dr Rüdiger Rogol


Como viver sem culpa?!


O que é Analise Transacional?

Terapia em EMDR

 “The past affects the present even without our being aware of it.” Francine Shapiro

 

Meu primeiro contato com a técnica de EMDR foi com o Master Trainer alemão Gerhard Gigler, que ensinava a mesma através do Wing Wave Coaching e do Neurosystemic Coaching pelo Metaforum em 2019 e 2020.

Em 2020 e 2021 fiz minha formação na técnica de EMDR através da EMDR Treinamento & Consultoria em São Paulo, com as professoras Silvia Guz e Elsy Regina Souza de Carvalho.

Durante a formação e a após a mesma pude verificar a efetividade terapêutica desta técnica em meu consultório com a clientela atendida. Realmente um recurso precioso para a prática clinica e visando um restabelecimento psíquico mais equilibrado e seguro frente a situações limite e de crises.

Gostaria de expor aqui algumas informações e vídeos para tornar este fantástica técnica mais acessível e conhecida do publico geral.




A Terapia em EMDR é uma técnica utilizada para reduzir e/ou elaborar sintomas de ansiedade, depressão, fobias, impulsos e questões relacionadas a eventos traumáticos. A técnica faz uso da estimulação sensorial (auditiva, ocular e tátil) para mobilizar diferentes áreas do cérebro buscando a dessensibilização daquilo que gerava perturbação e desconforto, criando um estado mais tolerável em relação ao conflito, incomodo e buscando através deste procedimento trazer respostas mais equilibradas.

EMDR = Eye Movement Dessensitization and Reprocessing. Em português significa Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento dos Olhos, é esta abordagem psicoterapêutica que desbloqueia memórias dolorosas através de estimulação bilateral do cérebro.

A Terapia EMDR foi desenvolvida pela cientista americana Francine Shapiro no final da década de 80 e aprovada  pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para tratar o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Atualmente tanto estudos científicos como a experiência clínica apontam resultados positivos para tratamento de  transtornos como ansiedade, dor crônica, luto, dependência química, estados depressivos,  transtorno bipolar e doenças psicossomáticas.

​O EMDR busca identificar o trauma, desconforto, conflito, crise apresentado pelo(a) cliente,  entendendo como este afeta a vida do(a) mesmo(a) e buscando com a dessensibilização e reprocessamento supera-lo, elabora-lo. 

Isto ocorre porque estimula o cérebro a (re)processar as memórias perturbadoras, fazendo uma “reciclagem”, "remodelagem" das imagens, emoções, sensações corporais e crenças negativas associadas às mesmas. Por isto dizemos que  é uma terapia de reprocessamento. Permitindo que o passado fique no passado e que a lembrança possa passa a não desencadeando o mal estar que despertava antes. 


Como funciona o EMDR?

 


Em descrição no site Vittude temos: "Quando passamos por situações que desencadeiam emoções intensas, como raiva, tristeza, pânico e desespero, o cérebro tem dificuldade para processar todos os elementos desses acontecimentos. Como resultado, as memórias ficam congeladas no hemisfério direito do cérebro. Imagens, sons, sensações corporais e cheiros se perdem em uma rede de memórias indecifrável. Embora não tenhamos acesso à lembrança do ocorrido por inteiro, ainda podemos sofrer com o que ficou armazenado em nosso inconsciente. Anos após o trauma, pessoas costumam ter comportamentos que causam sofrimento emocional e psicológico. Apesar de terem certa consciência que determinada conduta lhes causa mal, não sabem por que agem assim e nem conseguem parar. Pessoas que passaram por um trauma também podem notar um padrão de reações negativas a determinados fatores, como ambientes, situações, conversas e indivíduos específicos. Porém, raramente entendem o porquê disso. É aqui que entra a psicoterapia EMDR. Ela desbloqueia memórias traumáticas para que sejam reprocessadas e deixem de causar desconforto e mal-estar na vida cotidiana. Dessa forma, pacientes conseguem desenvolver uma mentalidade mais positiva sobre a vida, essencial para deixarem o passado para trás."



Você sabe como funciona a Terapia EMDR em seu cérebro?

Descubra, nesta animação narrada por Esly Carvalho, Ph.D


 


Referencias para aprofundamento:

Francine Shapiro - EMDR: Terapia de Dessensibilização e Reprocessamento por Meio dos Movimentos Oculares. Amanuense; 3ª edição, 2020

TraumaClinic - https://www.traumaclinicbrasil.com.br/

Grupo TraumaClinic / EMDR Treinamento & Consultoria - https://www.youtube.com/channel/UCACTxiItao2gVy1z7rFkIOQ

Wingwave - https://www.youtube.com/channel/UCcKWxJOlxSFtmG5z4F3lNKg

A terapia EMDR é a melhor opção para traumas? - https://www.vittude.com/blog/terapia-emdr-melhor-opcao-para-traumas/

Harry recorre a terapia incomum para lidar com a ansiedade - https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/harry-recorre-a-terapia-incomum-para-lidar-com-a-ansiedade-entenda

Profissionais da linha de frente do combate à Covid-19 recebem tratamentos de guerra para lidar com traumas - https://oglobo.globo.com/saude/coronavirus/profissionais-da-linha-de-frente-do-combate-covid-19-recebem-tratamentos-de-guerra-para-lidar-com-traumas-24976033

How EMDR Therapy Helped Sandra Bullock Cope With PTSD After a Home Invasion - https://www.self.com/story/sandra-bullock-home-invasion

Cuidando do Cuidador - René Schubert



Reflexão a partir do trabalho em consultório como psicoterapeuta seguindo na linha psicanalítica com clientela infantil e adulta.

Psicoterapia Individual - é um espaço especializado no atendimento psicoterápico, que trata dos aspectos psíquicos singulares do indivíduo. É o trabalho dos afetos, emoções, padrões e pensamentos do indivíduo que o levam a ter consequências negativas ou sofrimento em seu dia a dia. Com base teórica psicanalítica, muitas temáticas e questões que o indivíduo traz às sessões psicoterapêuticas podem ser refletidas, problematizadas e reconstruídas, visando uma melhor adaptação e interação com o meio social, profissional e cultural.

A partir da imagem humorada acima e da animação que segue a seguir, surge esta reflexão tão importante sobre os cuidados que o psicoterapeuta, terapeuta, facilitador, precisa ter consigo mesmo.
Seu material de trabalho é o material humano. O dia todo em contato com as manifestações e conteúdos trazidos por crianças, jovens, adultos, homens, mulheres, idosos, famílias, casais. Afetos, emoções. Histórias, tramas e dramas. Angustias, incômodos, desconfortos, insatisfações. Sentimentos. Dores e Machucados. Conflitos internos e externos. Traumas, transes e mecanismos de adaptação. Personagem preferidos e preteridos. Exclusões, preconceitos, julgamentos. Pensamentos sombrios. Desejos assustadores. Fantasias terroríficas e por vezes libertadoras. Comportamentos, crenças que auto-sabotam. Vínculos pesados...também vínculos leves. Crenças que limitam...crenças que levam e mantém o sucesso. Palavras mal ditas...palavras mágicas. Relacionamentos tóxicos, relacionamentos fugazes, relacionamentos sofridos...relacionamentos que levam adiante.

E por todas estas cenas, dores e cores...a pessoa do psicoterapeuta já passou. Já vivenciou. Já presenciou. Já sentiu e tocou. E é esperado que tenha trabalhado estas, em seu próprios espaço terapêutico de escuta, acolhimentos e transformação.

Como colocado pelo facilitador Thomas Bryson: "Um cliente trará suas sombras para o atendimento, para o campo. Para adentrar nestas sombras, o terapeuta precisa estar preparado, precisa ser capaz de estar e se manter na presença. Para tal precisa conhecer suas próprias sombras, e precisa ter visitado e tomado contato com as mesmas diversas vezes. Apenas um terapeuta que conhece suas próprias sombras pode entrar nas sombras do cliente sem ser desviado ou engolfado por estas."

Como nos aponta o psicanalista Jorge Forbes, "somos profissionais do incompleto". Lidamos com a incompletude. Com o imperfeito. Somos incompletos e imperfeitos. Isto nos faz inquietamente buscar, aprimorar, transformar.

O trabalho do psicoterapeuta, terapeuta, facilitador...é constantemente sobre si mesmo. Para poder fornecer recursos e ferramentas, reflexões e estratégias, possíveis e vívidas ao seu paciente/cliente.

Sigmund Freud apontava para importância do tripé da psicanalise: Analise pessoal, supervisão e estudo teórico. Trabalhar seus temas pessoais, suas angustias e medo em seu espaço terapêutico. Supervisionar as questões práticas difíceis que surgem no dia a dia da clínica. Aprofundar e manter os estudos teóricos...pois cada paciente/cliente, traz o novo ao consultório. Cada caso é um caso. Desenvolvemos as hipóteses diagnosticas, estratégias clinicas, tratamento, a partir de cada novo caso como este se apresenta e desenvolve. Ou seja este tripé sugerido por Freud, é movimentado constantemente pelo(a) o(a) terapeuta.

Lidando com seres humanos, como o(a) próprio(a) terapeuta, o(a) mesmo(a) precisa estar em constante movimento de escuta, paciência, tolerância, inclusão do novo, supervisão, aprimoramento, aprofundamento, abertura.

Somos incompletos, vulneráveis e frágeis...também...e isto não é uma fraqueza, muito pelo contrário, isto é uma força. Para tal precisamos trabalhar, com frequência, estes aspectos. Estar atentos e respirar conscientemente. Entrar em contato. Reconhecer. Diferenciar. Reverenciar. Dar um lugar. Integrar. Atuar, com consciência e presença!


Psicoterapia: Animação mostra a relação Psicólogo e Paciente

Essa animação mostra, de forma simbólica a relação Psicólogo X Paciente, e a importância do Psicoterapeuta também cuidar de sua própria Saúde Mental. O psicoterapeuta além de sua formação teórica e conhecimento clínico, precisa também de acompanhamento psicoterapêutico e supervisão - para que possa lidar com as diferentes demandas, afetos, situações trazidas por seus pacientes singulares , sem deixar seus próprios assuntos e opiniões interferirem neste trabalho. Sigmund Freud apontou que a clinica é suprema, é onde mais aprendemos e vivenciamos - porém para alcançar a postura analítica é necessário estudo teórico, analise pessoal, supervisão clínica e constante aprofundamento.

Sobre a animação disponível no Youtube: Originalmente postado em 2010 pelo nome Garra Rufa - A short animated film done by a group of artist at Sheridan College. Explores the mind of a psychiatrist.

Referências para estudo:

Bert Hellinger - As Ordens da Ajuda. Editora Atman, Pato de Minas, 2005
Carla Soares e Colaboradores - Visão Sistêmica e a Ética. UNICEUB, 2023
Contardo Calligaris - Cartas a um jovem terapeuta. Alegro, 2004
Irvin Yalom - Os desafios da terapia – reflexões para pacientes e terapeutas. Ediouro, 2006
Jorge Forbes - Da palavra ao gesto do analista. Campo Freudiano no Brasil. Jorge Zahar Editor
Sigmund Freud – Recomendações aos Médicos que Exercem a Psicanálise (1912); ‘A Dinâmica da Transferência (1912); Analise terminável e interminável (1937). 
Ursula Franke - Quando fecho meus olhos vejo você – Editora Atman, 2006



Genograma: a representação gráfica da estrutura familiar

Neste vídeo o psicólogo René Schubert faz uma sucinta explanação acerca da ferramenta clínica utilizada em saúde mental chamada de Genograma.

Qual a nossa origem? De onde viemos?
Em uma resposta objetiva e direta, de nossos pais! E a partir deles temos muitas informações sobre nós mesmos. Somos geneticamente o que somos pela união feita entre nossos pais. Ou seja, temos um genótipo e um fenótipo, um código gênico que determina diversas características que apresentamos hoje e algumas que ainda irão se apresentar. O orgânico se mostra como fator primeiro, em seguida virão as nossas interações com o meio externo, eventos e situações. Podemos de forma didática dizer que recebemos 50% do que somos de nossa mãe e 50% de nosso pai.
Em consultório é interessante observar o seguinte fenômeno: por vezes o cliente tem algumas informações sobre sua origem, por vezes a desconhece em diversos aspectos fundamentais. Por isto em psicoterapia sabemos da importância de investigar e por vezes construir, dar significado, reconstruir, elaborar juntamente com o cliente sua estrutura, história e origem familiar. Há fatos relevantes em nossa história de origem e sequência posterior e em informações e dados de como isto foi se sucedendo. 
Trazer estes fatos a tona e à consciência auxiliam muito o  cliente em sua localização e atuação na sua estrutura familiar. São informações que atuam a serviço do cliente e de seu sistema familiar de uma boa forma. Em um trocadilho “saber é poder” seria como o cliente apoderar-se de si mesmo por conta de sua história e estrutura familiar. Por vezes utilizamos para isto como ferramenta clínica ou recurso terapêutico o chamado Genograma.
Definição de genograma: “Informa de maneira completa e objetiva os dados de uma determinada família, fazendo de forma realista uma revisão do passado familiar e dos potenciais problemas de saúde, assim como fornece informações ricas sobre os relacionamentos, incluindo ocupação, religião, etnia e migração”.

O Genograma é uma ferramenta clínica provinda da Terapia Sistêmica Familiar e foi idealizado pelo psiquiatra norte americano Murray Bowen, aproximadamente em 1954.   
Desta maneira, o genograma é a representação gráfica da família. Neste são representados, descritos, colocados os diferentes membros da família, o padrão de relacionamento entre eles e as suas principais características, referências, doenças, eventos ou episódios marcantes. Podem ser acrescentados dados como ocupação, hábitos, escolaridade e evidentemente fatos relevantes da família, entre outros, de acordo com o objetivo e temática principal do Genograma. Esta demonstração gráfica da situação permite que o indivíduo pare e reflita sobre os vínculos e a dinâmica familiar, os problemas mais comuns que o atingem e afligem e o enfrentamento destes pelos membros da família.
“Com o recurso do Genograma vêm as informações junto com as emoções relacionadas a cada pessoa, vínculo, história... é um recurso rápido para alcançar camadas profundas do sistema familiar de nosso cliente. Pontual para visualizar o sistema e estrutura familiar do cliente e quais associações este processo traz" Dra. Ursula Franke Bryson
É do pensador Edmund Burke a frase: “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la” que posteriormente é parafraseada por Bert Hellinger como: "Aquele que não conhece a própria história tende a repeti-la".
Funcionalmente o Genograma atua como ferramenta de investigação e reflexão da estrutura e histórico familiar e pode trazer muitos benefícios no sentido de autoconhecimento, consciência, diferenciação e formas de ação e comunicação dentro do sistema familiar.
Apesar de ser uma ferramenta clínica muitas vezes utilizada para investigação e para fins terapêuticos por profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, entre outros) muitas vezes pessoas interessadas ou curiosas em relação à sua própria história de vida e histórico familiar vão utilizar esta representação gráfica para fazer o levantamento e estudo transgeracional ou árvore genealógica.   
Árvore genealógica é um histórico de certa parte dos antepassados de um indivíduo ou família. Trata-se de uma representação gráfica genealógica para mostrar as conexões familiares entre indivíduos, trazendo seus nomes e, algumas vezes, datas e lugares de nascimento, casamento e morte, além de fotos.   
Estas são formas de pesquisa e estudos de nossa história de origem e desenvolvimentos anteriores e posteriores. Um estudo acerca de nosso legado. Como uma linha do tempo, e do espaço, no sentido de lugar, dos nossos familiares e de nos mesmo(a)s como lugar e história.
Utilizando estas ferramentas podemos verificar e desvelar certos padrões de crenças, motivações, comportamentos, palavras e frases típicas, repetições, evidências e fatos antes ocultos, misteriosos e/ou perigosos que influenciam nossa vida direta ou indiretamente.
(Alguns Sinais/Símbolos comumente utilizados em Genogramas)
   
Referências para pesquisa sobre o assunto:
Atendimento Individual em Constelação Familiar - Dra. Ursula Franke-Bryson - Transcrição de treinamento de 2017 -  http://aconstelacaofamiliar.blogspot.com/2017/07/atendimento-individual-dra-ursula.html
Departamento de Atenção Básica - Genograma familiar – Vídeo de Youtube - https://www.youtube.com/watch?v=8ugbsSyYgVc
Genograma: a representação gráfica da estrutura familiar – Vídeo de Youtube (2019) - https://youtu.be/TtG5tdRB53Q
Genograma: Árvore da vida - René Schubert para o site Movimento Sistêmico (2019) - https://www.movimentosistemico.com/post/genograma-árvore-da-vida
Sites para pesquisas genealógicas e construção da arvore genealógica:
  
  

A Sombra




Segundo o psicanalista Carl Gustav Jung: "Aquilo que negas, te submete - aquilo que aceitas, te transforma". O criador da psicologia analítica define Sombra como "aquilo que uma pessoa não tem desejo de ser". Em outra descrição: Aquilo que é invisível, rechaçado, agressivo, negado, odiado, repudiado, vingativo, primitivo, pavoroso. 

A Sombra, quando negada, ou ignorada, muitas vezes atua como processo de auto-sabotagem psíquica, afetando direta e indiretamente, escolhas, comportamentos, falas, posturas.

O autor Deepak Chopra aponta que o Efeito sombra pode ser entendido como tudo aquilo que não aceitamos de negativo em nós mesmos e que não queremos mostrar aos outros. É aquilo que nos incomoda, mas escondemos, ignoramos, porque temos medo de lidar com eles. Podem ser sentimentos, emoções, eventos traumáticos e traumas adquiridos desde a nossa infância.

Desta maneira a Sombra é tudo aquilo que não queremos ser, mas somos. É aquele sentimento escondido de todos, e por ser tão escondido de todos, acabamos por visualiza-lo nos outros e então apontamos e julgamos o outro. Projetamos no outro, por não reconhece-lo em nós mesmos. E neste momento diversas emoções entram em ação: medo, raiva, culpa, rancor, mágoa, entre outros.

A sombra não reconhecida em nós manifesta-se na forma de comportamentos, crenças e ações que em seus efeitos a curto e longo prazo, são prejudiciais ou nos mantem em um ciclo repetitivo e desgastante emocionalmente.

Carl Gustav Jung relaciona como correlativos à sombra o oculto, obscuro, o inconsciente, o misterioso. Tanto o conceito de Luz como o da Sombra fazem parte de nós. Fazem parte de nossa psique, ou seja, de nosso aparelho psíquico, de nossa personalidade e mundo interno. Todo ser humano possui aspectos de luz e de sombra. O comportamento de auto sabotagem é assim, um fator comum a todos os seres humanos, sem exceção.

O aprendizado que temos que obter em relação à sombra é como integra-la à nossa vida. Como tomar consciência desta em nosso dia a dia e, a partir desta percepção e reconhecimento, utiliza-la a nosso favor e não contra. Aprender com esta e integra-la em nossa consciência e vida cotidiana.



Fontes: 
O Efeito sombra - Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson
O Ciclo da Auto-sabotagem - Stanley Rosner e Patricia Hermes
Sobre sentimentos e a sombra - Carl Gustav Jung
Youtube – Canal Janela da Alma - Psicanálise

Psicoterapia: Desabafar muda o cérebro

Contar um trauma altera funções cerebrais e ajuda a superar a dor , relata o psicoterapeuta Julio Peres.




Falar sobre as dores vividas é essencial para superar um trauma. Ao fazer isso, a pessoa é capaz de reorganizar sentimentos. Até aí, nenhuma novidade. O psicólogo Julio Peres, de 38 anos, foi além. Conseguiu mostrar que a conversa modifica o funcionamento do cérebro. A pesquisa, tema de doutorado de Peres em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, deve ser publicada em junho na revista Journal of Psychological Medicine. O estudo foi feito com 16 pacientes que sofreram estresse pós-traumático parcial (que não apresentam todos os critérios de diagnóstico). Eles passaram por oito sessões de psicoterapia. Os indivíduos narraram o momento traumático várias vezes. Depois, foram convidados a relembrar situações difíceis que viveram anteriormente e a sensação positiva que tiveram ao superar o problema. Exames de tomografia ao final do tratamento revelaram que o funcionamento cerebral é modificado com a narração. "Quem passou pela psicoterapia apresentou maior atividade no córtex pré-frontal, que está envolvido com a classificação e a 'rotulagem' da experiência", diz Peres. "Por outro lado, a atividade da amígdala, que está relacionada à expressão do medo, foi menos intensa." Isso fortalece a tese de que falar sobre o problema ajuda a pessoa traumatizada a controlar a memória da dor que sofreu.



ÉPOCA - Como foi realizado o estudo?
Julio Peres - 
Aplicamos questionários para estabelecer as modalidades sensoriais (o rosto do ladrão, o cheiro da gasolina, o barulho da freada do carro) que permaneceram na mente dos indivíduos. Antes da psicoterapia, essas sensações estavam exacerbadas. Depois dela, verificamos que o valor sensorial das memórias traumáticas diminuiu. O que aumentou foi o valor narrativo, junto com a atividade do córtex pré-frontal. É um achado importante. Significa que, à medida que a narração do evento aumenta, as respostas emocionais e as sensações são atenuadas.


ÉPOCA - Como o senhor teve a idéia do estudo?
Peres -
 Muitos profissionais da saúde não creditam o devido valor ao tratamento pela ausência de marcadores biológicos do efeito psicoterápico. Quis estudar a produção científica com o uso do método de neuroimagem funcional com a psicoterapia. No Brasil, é o primeiro estudo desse tipo. Fiz uma revisão de todos os estudos publicados no mundo. Qual foi minha surpresa? Existiam apenas 20 estudos sobre o assunto. E a neuroimagem já existe há 20 anos! 

ÉPOCA - Dá para dizer que a psicoterapia muda o funcionamento cerebral?
Peres -
 Sim. A maneira como o cérebro processa as informações muda. Os psicólogos deveriam estudar seus pacientes com métodos neurofuncionais. No Brasil, ainda é difícil. Poucas pessoas têm conhecimento sobre o assunto. 


ÉPOCA - Qual é o perfil dos pacientes estudados?
Peres -
 São pessoas que sofreram traumas, mas não preencheram todos os critérios do estresse pós-traumático. São pessoas que passaram por eventos como perda de entes queridos, acidentes, separação, abuso sexual, assalto, seqüestro. Eles representam 30% da população geral.


ÉPOCA - Quem não pode fazer psicoterapia deve compartilhar seus problemas com alguém? Isso também muda o cérebro?
Peres -
 Sim. Em geral, as pessoas traumatizadas tendem a se isolar. Não verbalizam o evento, não compartilham suas histórias. Justamente pela falta de contar e recontar essas histórias, as pessoas ficam com as memórias traumáticas fragmentadas. Medo, sensações dispersas, sem atribuição de um significado para o que aconteceu. Quando ela constrói esse significado, tem a possibilidade de reconstruir o momento trágico, trazendo um aprendizado daquele evento. Isso alivia a dor. 


ÉPOCA - Relembrar a situação traumática não é pior?
Peres -
 É exatamente isso o que os traumatizados pensam. Lembrar outra vez da dor? É como se o indivíduo voltasse ao horror experimentado. Mas, se ele não falar sobre sua memória, não consegue dar significado e entender o acontecimento. Falar modifica a interpretação. Converse com pessoas de confiança: amigos, familiares, alguém vinculado a sua crença religiosa. O mais importante é que possa de fato compartilhar. Não é falar para qualquer um. Deve ser alguém que tende a acolher. Escrever também é um caminho. O publicitário Washington Olivetto escreveu durante o trauma (enquanto estava seqüestrado). Certamente, isso o beneficiou. É um exemplo de superação. 

ÉPOCA - Em traumas semelhantes, as pessoas têm reações parecidas?
Peres 
- Os estudos mostram que em tragédias naturais avassaladoras, como tsunamis e terremotos, a resposta de cada envolvido é absolutamente diferente. Não existe uma resposta universal ao trauma. Temos estudado o que predispõe à recuperação. O que as pessoas que superam essas situações difíceis desenvolvem como qualidades? E por que aquelas que continuam traumatizadas não conseguem desenvolvê-las, pelo menos por algum tempo? ÉPOCA - O que fazer para não ficar preso às lembranças de uma tragédia?
Peres -
 Criar novos objetivos. É ver o acontecimento como uma oportunidade para o aprendizado e o crescimento pessoal. Sentimentos positivos, como o altruísmo, ajudam a pessoa a melhorar rapidamente em vez de sucumbir ao trauma. É essencial não se sentir enfraquecido, incapaz perante o que viveu. E o trauma está muito ligado à incapacidade. Por exemplo, num acidente de carro, a pessoa pensa: "Eu não pude controlar o carro e fiquei preso nas ferragens". O trauma pode marcar o indivíduo nesse sentido. Ele se sente sem condições de superá-lo. Quem cria uma aliança positiva com aquele momento sai mais facilmente da dificuldade. 


ÉPOCA - O que perpetua um trauma?
Peres -
 Em geral, os traumatizados têm a tendência de querer pagar na mesma moeda. Com pensamentos do tipo: "Mataram minha mulher e agora vou matar cada um desses caras". Quando existe o sentimento de vingança, a repetição do ciclo traumático não acaba. Não resolve o problema, e os traumas vão aumentando. 


ÉPOCA - Que substâncias o cérebro libera quando a pessoa sofre um trauma?
Peres -
 O trauma pode se estabelecer de duas maneiras. Uma é a hiperestimulação, que envolve o sistema simpático, relacionado à adrenalina. O indivíduo fica em alerta, irritado, com insônia, pensamentos intrusivos. O outro lado é a dissociação, que envolve o sistema parassimpático e a endorfina. É também uma estratégia de adaptação, de sobrevivência ao evento. Um anestesiamento. Acontece especialmente com crianças que sofreram abuso sexual, porque geralmente o agressor está em casa. E diante disso ela não pode fugir. Ela dissocia, como se não estivesse acontecendo nada. Só que as conseqüências dessa dissociação são gravíssimas. Em geral, viram adultos que não conseguem estabelecer vínculos afetivos. Aquele processo de dissociação ficou tão enraizado, como uma defesa de sobrevivência, que também tende a continuar por um bom tempo. 

ÉPOCA - Quanto tempo uma pessoa leva para superar um trauma?
Peres - 
Depende de cada pessoa, do processamento interno em relação ao ocorrido. No caso do estudo, fizemos oito sessões de terapia, com duração de uma hora e meia cada uma. E essas sessões foram suficientes para o grupo modificar as respostas emocionais. Eles ficaram mais equilibrados psicologicamente.



"Após oito sessões de psicoterapia, os pesquisadores observaram mudanças nas seguintes regiões do cérebro"



Sobre o Pesquisador e Psicólogo Julio Peres:
•  Psicólogo clínico, especialista em Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Doutorando em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)
• Autor de diversos artigos científicos sobre traumas psicológicos, psicoterapia e superação, publicados em revistas como Psychological Medicine e International Journal of Psychology



Fonte: Por Suzane Frutuoso - Revista Época, janeiro/2008 - http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR77460-8055,00.html