A terapia traz instrumentos, recursos, formas de lidar com conflitos, situações e pessoas, que o cliente não sabia antes, mesmo tendo disponíveis...é um despertar para si mesmo(a)!
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Reflexão sobre a atuação do psicólogo
"Por que a terapia não faz parte do programa escolar?"
Terapia de Brainspotting
"Se tomarmos o lema do Brainspotting: "onde você olha afeta o que você sente" - se você esta pensando algo e isto esta te incomodando se você olha para uma direção ou para o lado oposto, movendo os olhos, você literalmente sente diferente. como isto pode ser? Porque quando você olha para cá, você vai para um lugar especifico em seu cérebro, já quando você olha para lá, você vai em outro lugar de seu cérebro. pois o trauma ou outro estresse emocional esta inscrito em diferentes lugares do cérebro, quando você olha em direções diferentes as vezes algo é revelado e outras vezes não é revelado" David Grand
O Brainspotting é uma terapêutica diferenciada que surgiu a partir da terapia de EMDR. Foi desenvolvida pelo psicoterapeuta Dr. David Grand. Usando o EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares) o Dr David Grand observou sinais físicos e oculares específicos quando as pessoas acessavam suas memórias traumáticas. Então ele integrou sua base psicanalítica, a integração corpo e mente do EMDR, dando um salto significativo para ajudar as pessoas resolverem questões de trauma. Como método terapeutico atua nas áreas profundas e primitivas do cérebro, onde identifica, processa e libera memórias de perturbação, sofrimento, dores emocionais e físicas.
O Brainspotting é focado em processar e liberar as fontes neuropsicológicas de dor, trauma, dissociação e uma variedade de outros sintomas desafiadores.
O Brainspotting pode ser uma forma de diagnóstico e tratamento simultaneamente, e quando é intensificado com o som bilateral é ainda mais profundo, focado e capaz de dar contenção e recursos ao paciente.
"O Objetivo de toda Psicoterapia é levar o cliente da desregulação para regulação"
Procedimento: Como em um processo de psicoterapia, o paciente levanta questões e tematicas que deseja abordar durante a sessão. Ao encontrar um tema a ser trabalhado, entra em contato com a recordação do conteúdo perturbador, o que normalmente desperta sensações emocionais e físicas de desconforto, incomodo. O psicoterapeuta usa uma ponteira para encontrar o ponto cerebral (brainspot) que corresponde à ativação da memória, a qual é atemporal em relação ao inconsciente. O paciente acompanha os movimentos do psicoterapeuta com os olhos até que se encontre o ponto de ativação, que possibilita a mobilização, ou que se encontre o ponto que traz mais alívio, denominado “ponto de recurso”. Depois da localização e da escolha do ponto, o paciente fixa a atenção no ângulo visual determinado e observa os conteúdos emocionais, cognitivos ou físicos que emergem da consciência, pontos psicoemocionais adaptativos que foram criados e congelados, até que este seja reprocessado, elaborado e a ativação não cause mais nenhum desconforto ao paciente. Tudo isso com o suporte e acompanhamento do terapeuta.
O que o Brainspotting pode tratar?
- Dificuldades e Bloqueios de aprendizagem;
- Crenças limitantes, comportamentos inadequados;
- Performance e desempenho;
- Desenvolvimento de potencialidades;
- Disfunções sexuais;
- Doenças degenerativas e autoimunes;
- Dores crônicas;
- Traumas físicos;
- Fibromialgia;
- Medos e inseguranças;
- Dificuldades em dirigir;
- Quadros depressivos, ansiosos, impulsivos;
- Quadros psicossomáticos;
- Transtorno de Estresse Pós-Traumático;
- Sindrome de Burn Out;
- Vícios e compulsões;
- Expansão de criatividade, habilidades artísticas;
- Entre outros, pois a técnica ainda esta sendo desenvolvida e pesquisada no mundo.
Quando a largarta vira de ponta cabeça...
Vou iniciar esta reflexão com duas frases de conhecidos filósofos:
"Antes de curar alguém, pergunta-lhe se está disposto a desistir das coisas que o fizeram adoecer" Hipócrates
“É parte da cura o desejo de ser
curado” Sêneca.
Geralmente no início do ano temos diversos eventos e publicações de instituições e grupos de psicologia divulgando o Janeiro Branco.
Desde 2014 o mês de Janeiro é representado pela
cor Branca para debater, informar, conscientizar a população em relação à
importância da saúde mental.
A importância das emoções, das
dores da alma, dos espaços de escuta e de tratamento psíquico. Não ao acaso o
mês escolhido é Janeiro pois é o mês que dá início ao ano, mês de reflexão, reinicio,
momento de colocar as metas em prática, validar estratégias que correram bem no
ano anterior e rever aquelas que fracassaram. É um mês que causa em certas
pessoas: agitação, receios, duvidas e inseguranças. Não por acaso sinais que
acometem pessoas com transtorno de ansiedade, depressão e/ou pânico. Quadros
que tem se destacado e agravado no passar dos anos, afetando a vida familiar,
profissional, acadêmica, relacional e pessoal de muitas pessoas.
Ano passado em diversos momentos
palestrei para jovens e adultos sobre tristeza, depressão, ansiedade, medos,
suicídio, comportamentos de risco, agressividade e violência, bullying, quadros compulsivos, uso e
abuso de drogas. Vivemos em Megalópole (Grande São Paulo), com diversas
pressões, expectativas, desafios, dificuldades. A busca pelo nosso lugar, por
realizarmo-nos “perfeitamente” em nosso ambiente acadêmico e profissional,
termos sucesso, termos dinheiro, sermos bem vistos e quistos, termos muitos views e likes, sermos bons, sermos completos, bonito(a)s, perfeitos, desejado(a)s...pertencermos...sermos
aceitos.
A questão é: nós nos vemos?
Nós nos aceitamos a partir do que vemos?
Nós nos escutamos?
Nós, nos sentimos?
Nós
buscamos calibrar, realinhar, diferenciar, resignificar, elaborar o que
vivemos, sentimos, convivemos?
A Organização Mundial da Saúde afirma que a saúde mental depende do bem-estar físico e social. A mesma também estabelece que somos seres Bio Psico Sociais e Espirituais. Ou seja uma multiplicidade de fatores, situações, agem e interagem conosco, o tempo todo.
Somos todos interconectados
e interdependentes. Gregários. Coletivos. Circulares. Repetitivos. Falhos. Contingentes. Mutáveis.
E nós?
Agimos, ou reagimos?
Observamos
e respiramos conscientemente o que se passa à nossa volta ou engolimos o ar e
tentamos suprimir, deletar ou alienarmo-nos do que nos cerca e também pulsa
dentro de nós?
Sigmund Freud apontava: “Somos feitos de carne, mas temos de viver
como se fôssemos de ferro”.
É...é uma jornada e tanto para estarmos nesta cultura, caminharmos por este mundo. Teremos momentos de resiliência e força. E outros nos quais ficaremos frágeis. Vulneráveis. Nos sentiremos sozinhos, pequenos e incapazes. Nos sentiremos...humanos.
É fundamental reconhecermos nossos pontos fracos, impossibilidades e incapacidade para aquela tarefa e/ou
momento e, por vezes, pedir ajuda. Aceitar nossa limitação naquele momento. Permitir-se receber ajuda. A importância de
reconhecer que algo não vai bem, que há um limite ai e que é necessária ajuda é um passo inicial e
essencial para que se caminhe rumo a um reestabelecimento e transformação. E por
vezes, as crises em nossa vida são oportunidades desta transformação ocorrer.
Possibilidades para ir além do que sei e sou até então. E, posso fazer esta
caminhada acompanhado.
Saúde mental é reconhecer que não
somos completos...somos sim incompletos e, por vezes, precisaremos do apoio, da
escuta, da troca com outro. Este outro pode ser um amigo, um familiar, um professor, um
colega assim como também um terapeuta, um médico, um especialista em saúde
mental. Um outro, disponível e ciente, tal como nós, de nossas fragilidades,
dificuldades e incompletude.
Texto originalmente escrito por René Schubert e publicado em sua coluna mensal para o Jornal Zen em Fevereiro de 2020. Revisto em Janeiro 2024
Analise Transacional - Roteiro de Vida
“O destino de cada ser humano é criado quando o que está dentro da sua cabeça encontra o que está fora da sua cabeça” Eric Berne
A Análise Transacional é um método psicológico criado no final da década de 1950 pelo psiquiatra Eric Berne. Informalmente conhecida como AT, estuda e analisa as trocas de estímulos e respostas, ou transações entre indivíduos (e entre as instancias internas que habitam os indivíduos - as instancias herdadas dos pais, a instancias infantis, as instancias desenvolvidas, aprendidas, transformadas, na vivencia e esfera adulta).
A análise transacional faz parte de um programa, de um processo de auto conhecimento, auto crescimento, de melhoria contínua, sendo que quanto mais você se conhece, mais habilidades de como utilizar sua comunicação terá e estará em constante desenvolvimento e adquirindo maior consciência sobre você, sua comunicação e suas inter relações.
O objetivo último da AT é levar o indivíduo a alcançar a Autonomia de Vida. Entende-se por Ser Autônomo o indivíduo que tem o controle de sua própria vida, aceita a responsabilidade de seus próprios sentimentos, pensamentos e comportamentos, além de abdicar-se de padrões inadequados para viver no aqui-e-agora. Tudo isso pode ser obtido através da recuperação de três capacidades: consciência, espontaneidade e intimidade. Essas três capacidades são inatas no ser humano, entretanto algumas vezes ficam limitadas devido a situações estressantes ou traumáticas que sofremos em nossa infância.
“Todos nós nascemos príncipes e princesas, mas às vezes nossa infância nos transforma em sapos“ Eric Berne
A partir de uma reflexão encontrada no site da Hellinger Schule:
"Em teatro, cinema e programas de televisão, o script é um texto com as instruções escritas que devem ser seguidas pelos atores para dar vida aos personagens ou apresentadores, servindo como roteiro para a peça teatral, o enredo do filme ou a apresentação do programa
É desta maneira que a vida procede do início até o fim. A pergunta é: Faz alguma diferença se conhecemos o nosso script de vida. Alguns já conhecem o seu script, mesmo antes de começarem a sua trajetória. Eles a seguem até que se realize.
Os scripts determinadores para a humanidade terminam de forma trágica. Por exemplo os scripts de Alexandre o Grande, Alexander, Júlio Cesar, Hannibal, ou Napoleão. Todos eles têm em comum que após o grande sucesso vem uma derrota total.
Quando um homem ainda jovem já sabia que ele ascenderia a um grande poder e perderia tudo ao final. Depois de ir à ópera “Rienzi” de Richard Wagner quatorze vezes na cidade de Linz, ele corria pela cidade gritando “Este é o meu destino!”. O qual, igual ao herói da ópera, o levou às mais elevadas alturas da sua carreira de vida e o deixou cair abandonado e finalmente morrer.
A pergunta é: De onde vem o nosso script de vida? Quais forças o determinam? Por quê já sabemos antes de seis anos de vida qual será o nosso script de vida?
A pergunta é: Podemos trazer alguma mudança? Ou podemos ao menos nos posicionar para evitar o pior? Quem ou o quê pode ajudar?
Terapia em EMDR
“The past affects the present even without our being aware of it.” Francine Shapiro
Meu primeiro contato com a técnica de EMDR foi com o Master Trainer alemão Gerhard Gigler, que ensinava a mesma através do Wing Wave Coaching e do Neurosystemic Coaching pelo Metaforum em 2019 e 2020.
Em 2020 e 2021 fiz minha formação na técnica de EMDR através da EMDR Treinamento & Consultoria em São Paulo, com as professoras Silvia Guz e Elsy Regina Souza de Carvalho.
Durante a formação e a após a mesma pude verificar a efetividade terapêutica desta técnica em meu consultório com a clientela atendida. Realmente um recurso precioso para a prática clinica e visando um restabelecimento psíquico mais equilibrado e seguro frente a situações limite e de crises.
Gostaria de expor aqui algumas informações e vídeos para tornar este fantástica técnica mais acessível e conhecida do publico geral.
A Terapia em EMDR é uma técnica utilizada para reduzir e/ou elaborar sintomas de ansiedade, depressão, fobias, impulsos e questões relacionadas a eventos traumáticos. A técnica faz uso da estimulação sensorial (auditiva, ocular e tátil) para mobilizar diferentes áreas do cérebro buscando a dessensibilização daquilo que gerava perturbação e desconforto, criando um estado mais tolerável em relação ao conflito, incomodo e buscando através deste procedimento trazer respostas mais equilibradas.
EMDR = Eye Movement Dessensitization and Reprocessing. Em português significa Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento dos Olhos, é esta abordagem psicoterapêutica que desbloqueia memórias dolorosas através de estimulação bilateral do cérebro.
A Terapia EMDR foi desenvolvida pela cientista americana Francine Shapiro no final da década de 80 e aprovada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para tratar o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Atualmente tanto estudos científicos como a experiência clínica apontam resultados positivos para tratamento de transtornos como ansiedade, dor crônica, luto, dependência química, estados depressivos, transtorno bipolar e doenças psicossomáticas.
O EMDR busca identificar o trauma, desconforto, conflito, crise apresentado pelo(a) cliente, entendendo como este afeta a vida do(a) mesmo(a) e buscando com a dessensibilização e reprocessamento supera-lo, elabora-lo.
Isto ocorre porque estimula o cérebro a (re)processar as memórias perturbadoras, fazendo uma “reciclagem”, "remodelagem" das imagens, emoções, sensações corporais e crenças negativas associadas às mesmas. Por isto dizemos que é uma terapia de reprocessamento. Permitindo que o passado fique no passado e que a lembrança possa passa a não desencadeando o mal estar que despertava antes.
Como funciona o EMDR?
Você sabe como funciona a Terapia EMDR em seu cérebro?
Descubra, nesta animação narrada por Esly Carvalho, Ph.D
Francine Shapiro - EMDR: Terapia de Dessensibilização e Reprocessamento por Meio dos Movimentos Oculares. Amanuense; 3ª edição, 2020
TraumaClinic - https://www.traumaclinicbrasil.com.br/
Grupo TraumaClinic / EMDR Treinamento & Consultoria - https://www.youtube.com/channel/UCACTxiItao2gVy1z7rFkIOQ
Wingwave - https://www.youtube.com/channel/UCcKWxJOlxSFtmG5z4F3lNKg
A terapia EMDR é a melhor opção para traumas? - https://www.vittude.com/blog/terapia-emdr-melhor-opcao-para-traumas/
Harry recorre a terapia incomum para lidar com a ansiedade - https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/harry-recorre-a-terapia-incomum-para-lidar-com-a-ansiedade-entenda
Profissionais da linha de frente do combate à Covid-19 recebem tratamentos de guerra para lidar com traumas - https://oglobo.globo.com/saude/coronavirus/profissionais-da-linha-de-frente-do-combate-covid-19-recebem-tratamentos-de-guerra-para-lidar-com-traumas-24976033
How EMDR Therapy Helped Sandra Bullock Cope With PTSD After a Home Invasion - https://www.self.com/story/sandra-bullock-home-invasion
Cuidando do Cuidador - René Schubert
Psicoterapia: Animação mostra a relação Psicólogo e Paciente
Sobre a animação disponível no Youtube: Originalmente postado em 2010 pelo nome Garra Rufa - A short animated film done by a group of artist at Sheridan College. Explores the mind of a psychiatrist.
Genograma: a representação gráfica da estrutura familiar
A Sombra
A Sombra, quando negada, ou ignorada, muitas vezes atua como processo de auto-sabotagem psíquica, afetando direta e indiretamente, escolhas, comportamentos, falas, posturas.
O Efeito sombra - Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson
Psicoterapia: Desabafar muda o cérebro
Falar sobre as dores vividas é essencial para superar um trauma. Ao fazer isso, a pessoa é capaz de reorganizar sentimentos. Até aí, nenhuma novidade. O psicólogo Julio Peres, de 38 anos, foi além. Conseguiu mostrar que a conversa modifica o funcionamento do cérebro. A pesquisa, tema de doutorado de Peres em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, deve ser publicada em junho na revista Journal of Psychological Medicine. O estudo foi feito com 16 pacientes que sofreram estresse pós-traumático parcial (que não apresentam todos os critérios de diagnóstico). Eles passaram por oito sessões de psicoterapia. Os indivíduos narraram o momento traumático várias vezes. Depois, foram convidados a relembrar situações difíceis que viveram anteriormente e a sensação positiva que tiveram ao superar o problema. Exames de tomografia ao final do tratamento revelaram que o funcionamento cerebral é modificado com a narração. "Quem passou pela psicoterapia apresentou maior atividade no córtex pré-frontal, que está envolvido com a classificação e a 'rotulagem' da experiência", diz Peres. "Por outro lado, a atividade da amígdala, que está relacionada à expressão do medo, foi menos intensa." Isso fortalece a tese de que falar sobre o problema ajuda a pessoa traumatizada a controlar a memória da dor que sofreu.
ÉPOCA - Como foi realizado o estudo?
Julio Peres - Aplicamos questionários para estabelecer as modalidades sensoriais (o rosto do ladrão, o cheiro da gasolina, o barulho da freada do carro) que permaneceram na mente dos indivíduos. Antes da psicoterapia, essas sensações estavam exacerbadas. Depois dela, verificamos que o valor sensorial das memórias traumáticas diminuiu. O que aumentou foi o valor narrativo, junto com a atividade do córtex pré-frontal. É um achado importante. Significa que, à medida que a narração do evento aumenta, as respostas emocionais e as sensações são atenuadas.
ÉPOCA - Como o senhor teve a idéia do estudo?
Peres - Muitos profissionais da saúde não creditam o devido valor ao tratamento pela ausência de marcadores biológicos do efeito psicoterápico. Quis estudar a produção científica com o uso do método de neuroimagem funcional com a psicoterapia. No Brasil, é o primeiro estudo desse tipo. Fiz uma revisão de todos os estudos publicados no mundo. Qual foi minha surpresa? Existiam apenas 20 estudos sobre o assunto. E a neuroimagem já existe há 20 anos!
ÉPOCA - Dá para dizer que a psicoterapia muda o funcionamento cerebral?
Peres - Sim. A maneira como o cérebro processa as informações muda. Os psicólogos deveriam estudar seus pacientes com métodos neurofuncionais. No Brasil, ainda é difícil. Poucas pessoas têm conhecimento sobre o assunto.
ÉPOCA - Qual é o perfil dos pacientes estudados?
Peres - São pessoas que sofreram traumas, mas não preencheram todos os critérios do estresse pós-traumático. São pessoas que passaram por eventos como perda de entes queridos, acidentes, separação, abuso sexual, assalto, seqüestro. Eles representam 30% da população geral.
ÉPOCA - Quem não pode fazer psicoterapia deve compartilhar seus problemas com alguém? Isso também muda o cérebro?
Peres - Sim. Em geral, as pessoas traumatizadas tendem a se isolar. Não verbalizam o evento, não compartilham suas histórias. Justamente pela falta de contar e recontar essas histórias, as pessoas ficam com as memórias traumáticas fragmentadas. Medo, sensações dispersas, sem atribuição de um significado para o que aconteceu. Quando ela constrói esse significado, tem a possibilidade de reconstruir o momento trágico, trazendo um aprendizado daquele evento. Isso alivia a dor.
ÉPOCA - Relembrar a situação traumática não é pior?
Peres - É exatamente isso o que os traumatizados pensam. Lembrar outra vez da dor? É como se o indivíduo voltasse ao horror experimentado. Mas, se ele não falar sobre sua memória, não consegue dar significado e entender o acontecimento. Falar modifica a interpretação. Converse com pessoas de confiança: amigos, familiares, alguém vinculado a sua crença religiosa. O mais importante é que possa de fato compartilhar. Não é falar para qualquer um. Deve ser alguém que tende a acolher. Escrever também é um caminho. O publicitário Washington Olivetto escreveu durante o trauma (enquanto estava seqüestrado). Certamente, isso o beneficiou. É um exemplo de superação.
ÉPOCA - Em traumas semelhantes, as pessoas têm reações parecidas?
Peres - Os estudos mostram que em tragédias naturais avassaladoras, como tsunamis e terremotos, a resposta de cada envolvido é absolutamente diferente. Não existe uma resposta universal ao trauma. Temos estudado o que predispõe à recuperação. O que as pessoas que superam essas situações difíceis desenvolvem como qualidades? E por que aquelas que continuam traumatizadas não conseguem desenvolvê-las, pelo menos por algum tempo? ÉPOCA - O que fazer para não ficar preso às lembranças de uma tragédia?
Peres - Criar novos objetivos. É ver o acontecimento como uma oportunidade para o aprendizado e o crescimento pessoal. Sentimentos positivos, como o altruísmo, ajudam a pessoa a melhorar rapidamente em vez de sucumbir ao trauma. É essencial não se sentir enfraquecido, incapaz perante o que viveu. E o trauma está muito ligado à incapacidade. Por exemplo, num acidente de carro, a pessoa pensa: "Eu não pude controlar o carro e fiquei preso nas ferragens". O trauma pode marcar o indivíduo nesse sentido. Ele se sente sem condições de superá-lo. Quem cria uma aliança positiva com aquele momento sai mais facilmente da dificuldade.
ÉPOCA - O que perpetua um trauma?
Peres - Em geral, os traumatizados têm a tendência de querer pagar na mesma moeda. Com pensamentos do tipo: "Mataram minha mulher e agora vou matar cada um desses caras". Quando existe o sentimento de vingança, a repetição do ciclo traumático não acaba. Não resolve o problema, e os traumas vão aumentando.
ÉPOCA - Que substâncias o cérebro libera quando a pessoa sofre um trauma?
Peres - O trauma pode se estabelecer de duas maneiras. Uma é a hiperestimulação, que envolve o sistema simpático, relacionado à adrenalina. O indivíduo fica em alerta, irritado, com insônia, pensamentos intrusivos. O outro lado é a dissociação, que envolve o sistema parassimpático e a endorfina. É também uma estratégia de adaptação, de sobrevivência ao evento. Um anestesiamento. Acontece especialmente com crianças que sofreram abuso sexual, porque geralmente o agressor está em casa. E diante disso ela não pode fugir. Ela dissocia, como se não estivesse acontecendo nada. Só que as conseqüências dessa dissociação são gravíssimas. Em geral, viram adultos que não conseguem estabelecer vínculos afetivos. Aquele processo de dissociação ficou tão enraizado, como uma defesa de sobrevivência, que também tende a continuar por um bom tempo.
ÉPOCA - Quanto tempo uma pessoa leva para superar um trauma?
Peres - Depende de cada pessoa, do processamento interno em relação ao ocorrido. No caso do estudo, fizemos oito sessões de terapia, com duração de uma hora e meia cada uma. E essas sessões foram suficientes para o grupo modificar as respostas emocionais. Eles ficaram mais equilibrados psicologicamente.
"Após oito sessões de psicoterapia, os pesquisadores observaram mudanças nas seguintes regiões do cérebro"
Sobre o Pesquisador e Psicólogo Julio Peres:
• Psicólogo clínico, especialista em Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Doutorando em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)
• Autor de diversos artigos científicos sobre traumas psicológicos, psicoterapia e superação, publicados em revistas como Psychological Medicine e International Journal of Psychology
Fonte: Por Suzane Frutuoso - Revista Época, janeiro/2008 - http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR77460-8055,00.html










