"Tudo depende de como vemos as coisas e não de como elas são."
"Conhecer a sua própria escuridão é o melhor método para lidar com as trevas das outras pessoas."
Carl Gustav Jung
A
partir de um artigo escrito na Revista Superinteressante em 2017 temos:
Nascido
em 26 de julho de 1875, Carl Gustav Jung foi o psiquiatra suíço responsável por
fundar a psicologia analítica.
A
Psicologia Analítica explora a importância da psique individual e sua busca
pela totalidade. Jung ajudou a popularizar termos comuns da psicologia, como
“arquétipo”, o significado de “ego” e a existência de um “inconsciente
coletivo”. Seu trabalho influenciou vários campos além da psicologia, como a
antropologia, filosofia e teologia.
Como pesquisador em um hospital psiquiátrico na Suíça, Jung chamou a atenção de Sigmund Freud, fundador da psicanálise, e vários conceitos desenvolvidos pelos dois apresentam semelhanças. O fundador da psicologia analítica, também chamada de psicoterapia junguiana, tornou-se amigo e colaborador de Sigmund Freud. Romperam em 1914, por divergências teóricas.
Algumas conclusões observadas por Carl Gustav Jung:
“Nenhum indivíduo é
totalmente introvertido ou extrovertido”
Em
Tipos Psicológicos, um de seus livros mais influentes, Jung analisa os padrões
da personalidade e comportamento que compõem as singularidades de um indivíduo.
Para o psiquiatra, todas essas características são resultado da maneira única
como cada pessoa opta por utilizar suas capacidades mentais.
Como
exemplo, Jung afirma que existem duas “atitudes” opostas, conhecidas como
extroversão e introversão: cada indivíduo parece dividir sua energia entre o
mundo externo e interno, em diferentes escalas. O introvertido se sente mais
confortável com seus próprios pensamentos e sentimentos enquanto o extrovertido
se sente “em casa” quando lida com outras pessoas e objetos, além de prestar
mais atenção sobre seu impacto diante do mundo — introvertidos, por sua vez,
costumam observar como o mundo ao seu redor os afeta. Jung foi um dos
principais estudiosos sobre esse traço de personalidade e ajudou a popularizar
o conceito.
Todas as pessoas carregam
quatro funções cognitivas principais
Ao
contribuir com sua teoria sobre “tipos” psicológicos, Jung também mostrou que
pessoas pensam, sentem e experimentam o mundo de maneiras distintas. Ele
identificou quatro funções psicológicas fundamentais: a sensação, pensamento,
sentimento e intuição. Cada uma delas pode operar tanto através do indivíduo
introvertido como do extrovertido. Normalmente, apenas uma dessas
características é mais dominante — a chamada “função superior”. As demais
funções são mantidas no inconsciente, menos notáveis e desenvolvidas.
Em poucas palavras, devemos ter uma função que indique algo que existe — a sensação —, outra, o pensamento, estabelece o que isso significa; a terceira declara se aquilo nos convém e se queremos aceitar essa coisa ou não — o “sentir” — e a última, a intuição, serve como uma percepção inconsciente das coisas, indicando “de onde vieram e para onde estão indo”.
Seres da mesma espécie
compartilham semelhanças em suas “mentes inconscientes”
Segundo
Jung, nascemos com uma herança psicológica, assim como a herança biológica. As
duas são importantes para determinar traços de comportamento: “assim como o
corpo humano representa um ‘museu de órgãos’, cada um com um longo período
evolutivo por trás dele, devemos esperar que a mente também esteja organizada desta
forma”, explicou. O psiquiatra enfatiza que o inconsciente coletivo é o centro
de todo aquele material psíquico que não surge a partir da experiência pessoal.
Seu conteúdo e imagens parecem ser compartilhados por pessoas de todas as
épocas e culturas, enquanto o inconsciente pessoal envolve o passado e memórias
de cada indivíduo. O conceito afirma que nossa mente já nasce com uma estrutura
capaz de determinar seu desenvolvimento no futuro e sua interação com o meio em
que vive.
Os elementos comuns no inconsciente coletivo são chamados de arquétipos, ideias e imagens herdadas para responder ao mundo de certas maneiras. Jung identificou-os ao notar que vários pacientes descreviam sonhos e fantasias que incluíam referências que não poderiam ser rastreadas em seus passados pessoais. O estudioso também observou que muitos desses elementos envolvem figuras e temas religiosos encontrados em diversas culturas e mitologias.
O ego é o centro do
consciente humano
Para Jung, o ego é um dos principais arquétipos da personalidade e o centro da consciência. Ele fornece direção às nossas “vidas conscientes” e tenta nos convencer de que devemos sempre planejar e analisar nossas experiências conscientemente. A explicação é parecida com a versão do psicanalista Sigmund Freud: o ego surge do inconsciente e reúne várias memórias e experiências, desenvolvendo assim a verdadeira divisão entre o inconsciente e consciente.
Todo indivíduo assume uma
“máscara” sobre o inconsciente coletivo
Outro arquétipo, a persona é a aparência que apresentamos ao mundo, o personagem que assumimos perante a sociedade, incluindo nossos papéis sociais, as roupas que vestimos e a maneira como nos expressamos. Todos os indivíduos passam por essa adaptação, que tem aspectos negativos e positivos. A persona pode ser crucial para o desenvolvimento da personalidade, quando o ego passa a se identificar com o papel que desempenhamos. De acordo com Jung, é comum derrubarmos essa identificação para aprender quem somos de verdade no processo de individualização, mas é possível que as pessoas também passem a acreditar de verdade nessa “máscara” ilusória da persona. Membros de grupos minoritários tendem a ter problemas de identidade causados pelo preconceito cultural e a rejeição social de seus personagens, por exemplo.
“Mesmo uma vida feliz não
pode existir sem um pouco de escuridão”
Em
entrevista ao jornalista Gordon Young, feita em 1960, Jung observa que a
palavra “felicidade” perderia seu significado se não fosse equilibrada por um
pouco de tristeza. “É compreensível que busquemos a felicidade e evitemos os
momentos de pouca sorte”, explica. “Mesmo assim, a razão nos ensina que essa
atitude não é razoável e o melhor seria encarar as coisas conforme elas surgem,
com paciência e tranquilidade.”
Fonte:
6 reflexões para entender o pensamento de Carl Jung (2017) -
https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/02/6-reflexoes-para-entender-o-pensamento-de-carl-jung.html


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